28 de maio de 2019

A Falível Natureza Humana de Lula e Bolsonaro


Para Maria De Lourdes Ayres de Mattos e Tete Lucinha.
Agradeço à minha querida sobrinha Lourdes, que parece me conhecer melhor que algumas de minhas filhas.
Estou com oitenta e oito anos de idade e passei a maior parte de minha vida tentando aprender a conhecer a alma humana, o caráter do ser humano. Constatei que nem os mais sublimes dos santos nos altares foram inteiramente puros e íntegros, que todos nós, seres humanos, possuím
os personalidades complexas e multifacetadas, e que temos que estar sempre atentos aos nossos sentimentos e nossas ações, buscando o estreito e estrito caminho da ética, tentando fazer apenas o que seja certo para que cada um de nós e a Humanidade toda possa viver em harmonia e prosperidade, e que, afinal, sejamos todos felizes.
Paixões políticas nos induzem a elevar certos líderes ao nível de ídolos a serem cultuados e venerados como extraterrenos infalíveis e perdemos a noção de que não passam eles de seres humanos simples como nós. Vejamos dois deles:
Lula possui extraordinária inteligência intuitiva, altamente complexa e sofisticada que lhe permite aprender com muita facilidade, planejar a longo prazo e ajustar seu plano às circunstâncias, mudando seu rumo e até sua aparência conforme a necessidade e conveniência. A tudo isso alia extraordinário e congênito dom de oratória simples e convincente.
Bolsonaro é muito menos inteligente, tem maior dificuldade em aprender e reincide nos mesmos erros, sendo extremamente impulsivo, de pavio curto, soltando aos quatro ventos coisas da boca para fora, não pertencentes à sua natureza, mas geradas de sua extravagante reação às provocações. Por outro lado, possui uma personalidade despojada, simples, nada sofisticada, mas humilde, capaz de reconhecer seus erros e concertá-los na medida do possível. Sua parca riqueza intelectual o torna orador medíocre que emociona e convence mais pelos ideais que professa do que como usa a palavra.
Ambos, Lula e Bolsonaro, como todo ser humano, têm seus lados bom e ruim, suas falhas e acertos, e apesar de todas suas boas intensões e desejarem o bem do Brasil, também cometem erros, como você e eu.
Temos de nos educar a ser capazes de analisar e discutir não só as ideologias, mas também seus líderes sem paixões, sem preconceitos e sem radicalismos.
O que importa é ser feliz.

26 de maio de 2019

Debate sobre Renda Mínima


Baseado em: Renda Mínima Incondicional e Universal

Comentário de Bianca em 22/05/2019
Bianca Imbiriba Sebastiao Imbiriba, vovô querido, hoje li com muita atenção e carinho. Mas não concordo. Não acho que a renda mínima deva vir acompanhada pelo corte nos gastos com saúde, educação e previdência. Não acho que seja mais eficiente dar renda para todos e colocar esses serviços nas mãos da iniciativa privada. Por vários motivos:
Primeiro, não consegui fazer as contas ou achar no texto (falha minha!) uma indicação de quanto seria essa renda (per capita). Mas me parece pouco provável que seja o suficiente para cobrir os gastos com saúde, educação e previdência privadas. Vou lhe dar apenas um exemplo (o meu, para facilitar): aqui em casa gastamos $1800 em plano de saúde para a família (eu, Hugo e as crianças) e $1200 para a minha mãe (porque, felizmente, ainda posso cobrir esse gasto). Aproximadamente $2500 em educação em tempo parcial (6h, porque, por sorte, temos um regime de trabalho flexível que permite manter as crianças em casa meio período). Não vou nem dizer o que gasto em financiamento imobiliário, pra encurtar a conversa! Mas o fato é que não sobra nada (!!!) e a ideia do regime de capitalização privado (seja um empreendedor de si mesmo e aposte no seu futuro) é uma falácia! E não está acessível para 99% da população.
Segundo, porque não acho que entregar na mão da iniciativa privada vá reduzir substantivamente os custos, diminuir os preços e tornar esse "serviços" mais acessíveis (fazendo com todos possam pagar pelo acesso à saúde, educação e previdência). Vivemos em um regime de ampla concorrência (com muitas escolas privadas, universidades privadas, planos de saúde e fundos de capitalização) e ainda assim os preços não diminuem! E não diminuem porque, em se tratando de serviços tão essenciais, o capital funciona como um verdadeiro abutre. Se a sua sobrevivência depende disso (como é o caso dos hospitais particulares!) vamos nos aproveitar da sua fragilidade e arrancar o seu fígado.
Terceiro, porque acho que esse "serviços" não devem se orientar segundo a lógica do lucro (e do ganho imediato). Acho que devem ser, sim, garantidos pelo Estado, de maneira mais eficiente, com ganhos de escala e melhorias nas condições de vida para a população (reduzindo a necessidade de repasses via renda mínima, ainda que pudessem ser conjugados com esse).
Mas essa é só uma opinião, sobre a qual tenho poucas certezas.
Beijo. Te amo 

Comentário de Sebastião em 26/05/2019
Querida neta Bianca
Como sempre digo, não tenho certeza de nada, portanto, tenho que concordar contigo em que o Estado pode obter economias de escala com sistemas estatais de prestação de serviços nas áreas de saúde, educação e assistência social. Assim sendo, a Renda Mínima pode funcionar em paralelo com esses serviços gratuitos, uns complementando os demais em benefício da segurança financeira de todos os habitantes do país.
Apenas, por constatação empírica digo que monopólios são sempre nocivos, sejam privados ou, principalmente, do Estado. Além disto, você mesma declara o quanto é complicado e demorado resolver problemas de manutenção de bens de órgãos públicos.
Por exemplo, o cirurgião me encaminhou para tomografia no SUS, mas onde não estivesse quebrado só agendavam para quase um ano depois. Em todas as clínicas particulares os tomógrafos funcionavam e agendavam em menos de uma semana. Quando o dono é o povo ninguém é responsável; diferente de onde o dono é o empreendedor privado.
Assim, é sempre bom verificar o Custo/Benefício das utilidades, porque o grátis muitas vezes sai muito caro.
Posto isto e constatando, ambos, que Renda Mínima pode ser uma das soluções para a dupla disfunção da falta de renda para o cidadão expelido do emprego pelo robô, e falta de demanda para a pletora produtiva ultra robotizada, resta definir se a chamada “aposentadoria solidária” pode ser ou não classificada como assistência social, diante do alto montante que o Estado tem que financiar com outros tributos, além da minguante contribuição previdenciária dos poucos empregados, para cobrir a remuneração dos muitos aposentados e pensionistas. Meu entender é de que seja assistência social e, portanto, deve ter os respectivos fundos adicionados ao financiamento da Renda Mínima. Ou seja, a aposentadoria solidária e todos os demais tipos de assistência financeira devem ser descontinuados e incorporados à RM.
Tenho um trabalho sobre financiamento da RM, mas não passa de diletantismo e merece atenção de profissionais com melhor acesso às fontes de informação.
Agradeço seus comentários e acho que temos pontos de grande concordância;
Beijos do avô.
Em breve abordarei a questão da crescente concentração de bens de produção e de renda cujo limita pode levar ao Comunismo.

24 de maio de 2019

DISSENÇÕES VOLUNTARISTAS


Aqueles que como você e eu que já lemos a Bíblia, Shakespeare, Maquiavel, Platão e Aristóteles, algo de Marx, Weber, Misses e Gramsci, assim como de História, Economia, Sociologia e Psicologia certamente conhecemos o caráter e a alma do ser humano e de um cidadão em particular: Jair Messias Bolsonaro.
Não podemos, portanto, nos dizer surpresos com algo que o incontido ímpeto do Presidente pronuncie. Franca espontaneidade é característica marcante de sua personalidade, e dele ouvimos coisas que agradam tanto quanto desagradam a uns e outros, dependendo da parcela de seu diversificado público.
Reconhecemos, também, outro traço marcante dessa personalidade despojada, a humildade em reconhecer suas limitações e corrigir seus atos.
Sendo quem somos, e sabendo o que sabemos, não adotamos Bolsonaro como ídolo cuja personalidade deva ser cultuada. Para nós Bolsonaro é apenas o instrumento político da vontade popular de livrar nosso país da corrupção generalizada, do atraso político, da inércia funcional do Estado burocratizado ao extremo, do altíssimo custo operacional de nossa economia, da falta de estratégia civilizatória nacional de longo prazo que guie nosso desenvolvimento nas próximas gerações no rumo da grandeza entre as nações.
Não que ele, por si só possa fazer tudo isso, mas que dê o primeiro passo, abra o caminho para que seus sucessores prossigam com a magna tarefa.
Sabemos que é isto que Bolsonaro está fazendo, cercando-se de auxiliares de primeira linha, lançando programas de alto nível que submete a um Congresso metade antagônico e sabotador, por outro lado, desorientado e idiossincrático.
Este não é o momento para divergências inúteis, críticas descabidas e extemporâneas que na realidade não atingem o Presidente, mas ferem gravemente o esforço no rumo certo para atender a vontade do povo brasileiro expressa nas urnas de outubro passado.
Vamos deixar toda celeuma para a campanha eleitoral de 2023.
O Brasil precisa de paz, de armistício geral, mais ainda, de harmonia interna entre os apoiadores do programa liderado pelo Presidente Bolsonaro.
Não é momento para dissenções voluntaristas.

20 de maio de 2019

Definição de Comunismo no século XXI


Comunismo é o utópico estado de espírito universal no qual todas as pessoas se tornarão magnânimas, desprendidas e solidárias, voluntariamente desprovidas de bens de produção, que se governarão por decisões exclusivamente plebiscitárias e apartidárias ou unipartidárias, após serem educadas por um sistema ditatorial totalitário imposto, pelo assassinato da burguesia, por uma classe representativa do proletariado extinto, na primeira metade do século XXI, pela Inteligência Artificial.
Imagem relacionada


Esta provocação não objetiva a discussão, a meu ver inútil, sobre Comunismo, mas sobre as ameaças da AI e da robotização que extinguem milhões de postos de trabalho em toda a Humanidade.
Agora mesmo, discutimos uma impossível estabilização financeira com a reforma da Previdência.
Como financiar a Previdência se os salários são absorvidos por robots?
Não quero opinião de ideólogos do marxismo, quero ouvir economistas.

14 de abril de 2019

ONDE ESTÁ O ERRO DO ENSINO BRASILEIRO?


PERGUNTA DE SEBASTIAO A BIANCA
Peço a ti, leitor, que de fato quer ver o Brasil progredir pela educação de alta qualidade, responda à pergunta no final destas observações:
1.      Diversos comentaristas consideram Paulo Freire um dos maiores educadores de todos os tempos;
2.     No período de 30 anos, 1985 a 2015, os professores brasileiros tiveram plena liberdade de cátedra e sem crítica;
3.     No mesmo período de 30 anos, as Universidades brasileiras gozaram de plena autonomia administrativa e educacional;
4.    A partir de 1992, o Brasil foi governado por políticos de esquerda, desde o centro-esquerda Itamar e o socialdemocrata Fernando Henrique, passando pelo socialista Lula até a comunista Dilma;
5.     Brasil investe 5,7% do PIB, um dos índices mais altos entre os 42 países da OCDE, a frente de Reino Unido, Canadá e Alemanha, sendo o 15º que mais investe em relação ao PIB;
A imagem pode conter: texto
6.    Brasil está pessimamente colocado em 53º lugar no Pisa, entre 65 países;
7.     As universidades brasileiras estão entre as últimas classificadas no ranking mundial;
8.    O extenso analfabetismo funcional revela que a educação básica brasileira é muito deficiente;
9.    O enorme desemprego sistêmico, principalmente a imensa dificuldade do primeiro emprego, atesta que a educação brasileira em todos os níveis não prepara o cidadão para autonomia econômica;
ONDE ESTÁ O ERRO?

RESPOSTA DE BIANCA 12/04/2019
Para você, Sebastiao Imbiriba! Tardo, mas não falho.
Como muitos sabem, meu avô é um ser humano instigado! Uma pessoa com a qual, a despeito das divergências políticas, procuro manter um diálogo franco, aberto e fraternal. Não temos tido muito tempo para conversar, claro, em função da correria do dia a dia. Mas como a última polêmica, em particular, tinha relação direta com a nossa vida dentro da universidade, e como as universidades públicas tem sofridos muitos ataques no período recente (entre outros tantos que ainda estão por vir), julguei por bem fazer uma resposta mais cuidadosa, que compartilho publicamente com vocês (em parte dela, inclusive, conto com a ajuda do colega Allan Kenji). Escrevo para todos, esperando que outras vozes também venham se somar ao nosso debate.
A questão era basicamente a seguinte questão: por que as universidades públicas estão entre as últimas colocadas no ranking mundial das universidades, se gastamos tantos recursos com educação (aproximadamente 5,7% do PIB, próximo à média dos principais países da OCDE, acima de Reino Unido, Canadá e Alemanha)? A resposta segue abaixo:
1. Somos um país pobre em comparação com os demais (é só olhar os indicadores: PIB, PIB per capita, IDH etc.). Dizer que gastamos o mesmo em educação como percentual do PIB nada nos diz sobre o tamanho dos gastos em termos absolutos. Enquanto o PIB da Alemanha é de US$ 3,7 trilhões e o do Brasil é cerca de US$ 2,0 trilhões.
2. Somos um país com uma população gigantesca! Dizer que gastamos o mesmo em educação como percentual do PIB nada revela sobre o gasto por estudante. “São cerca de 6,6 milhões de estudantes no ensino básico alemão e 48 milhões no brasileiro, por exemplo. Por isso, o relatório da OCDE deixa claro que o Brasil está abaixo da média no valor investido por estudante. Enquanto a Alemanha está acima do que destina a maioria dos membros da OCDE, gastando cerca de US$ 10,8 mil por aluno/ano, o Brasil aparece com cerca de US$ 3,8 aluno/ano. A média da OCDE é US $ 9,4 mil”. (Fonte: https://politica.estadao.com.br/…/brasil-investe-porcentag…/). Gastamos pouco, portanto.
3. No caso das universidades brasileiras, os gastos se elevam substantivamente: “quase US$ 11,7 mil. [...] Com esse montante, o Brasil se aproxima de alguns países europeus, como Portugal, Estônia e Espanha, com despesas, respectivamente, por aluno universitário, de US$ 11,8 mil, US$ 12,3 mil e US$ 12,5 mil, e até ultrapassa países como a Itália (US$ 11,5 mil), República Checa (US$ 10,5 mil) ou Polônia (U$ 9,7 mil). A média nos países da OCDE é de US$ 16,1 mil, puxada por despesas mais elevadas de países como os Estados Unidos, Noruega, Luxemburgo e Reino Unido”. (Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-41236052). E houve, de fato, um aumento nas verbas destinadas às Universidades entre os anos de 2003 e 2012 (que passaram de 10,3 bilhões para 25,9 bilhões). O erro, mais uma vez, está em não olhar os dados como um todo.
4. Ainda que a gente conviva diariamente com muuuuuuuitos problemas (de infraestrutura, condições de trabalho, condições de estudo, motivo pelo qual estivemos mobilizados durante todos esses anos), o aumento da verba de fato se converteu em uma expansão da estrutura física, aumento no número de vagas (em mais de 100%, passando de 109 mil para 231mil) e aumento do corpo docente (em 44%).
5. Além disso, as verbas destinadas às Universidades financiam não apenas atividades de ensino, mas também a pesquisa e a extensão (motivo pelo qual não podem ser comparadas com as verbas para os outros níveis de ensino). Sobre esse ponto, compartilho as palavras do colega Allan Kenji, que não poderiam ser mais apropriadas:
“As universidades têm por definição no Brasil: a) a indissociabilidade entre as atividades de ensino, pesquisa e extensão e b) a autonomia político-administrativa. Essa é a principal razão pela qual todas as tentativas de comparar o orçamento público destinado a essas instituições com outro nível de ensino são falaciosas, pois as universidades não se restringem apenas às atividades de ensino e custeiam diversos outros elementos como a pesquisa e a extensão, o que significa custear e investigar em infraestrutura pesada de pesquisa como laboratórios, equipamentos, insumos de pesquisas, mas também hospitais universitários, museus, e centros aglutinadores como observatórios astronômicos, centros de culturas vegetais e marinhas, bases avançadas de pesquisa e coleta de dados e até mesmo artefatos de altíssima densidade tecnológica como os aceleradores de partículas e os laboratórios de energia nuclear.
Aliás, os dados produzidos pelo próprio Ministério da Ciência e Tecnologia demonstram que as universidades respondem por praticamente toda a infraestrutura de pesquisa instalada no Brasil. Afinal, os capitais não fazem pesquisa e desenvolvimento em território nacional e as raras unidades de pesquisa e desenvolvimento estabelecidas em empresas como a Petrobrás e a Embraer resultam em grande parte de convênios e parcerias com centros de pesquisas e laboratórios das universidades públicas.
As universidades públicas são responsáveis por toda a pesquisa de base. Seja nas fronteiras do desenvolvimento do repertório interpretativo no campo da sociologia às novas fronteiras do conhecimento na física de partículas subatômicas, todo esse conhecimento só existe porque as universidades públicas ainda resistem”.
6. Por fim, o fato de não termos “subido” no ranking mundial (onde as instituições privadas de ensino sequer aparecem!), não significa que não houve melhorias em termos absolutos (como as mencionadas acima). Trata-se de um ranking: se todas melhoram, não pode haver uma mudança relativa de posição.
7. Por fim, concordando plenamente com Allan, creio que “A defesa dos recursos públicos para a educação pública, da creche à pós-graduação, portanto, não pode fazer oposição entre a educação básica e superior, mas formar uma unidade de todos aqueles que defendem irrestritamente a educação pública nacional”! Ou você está a favor da educação pública, ou está contra ela.


RÉPLICA DE SEBASTIAO 13/04/2019
Querida neta Bianca,
Tua resposta à minha provocação à moda de Sócrates, o grande perguntador, enche de orgulho este pobre velho já tão vaidoso dos netos (15) e bisnetos (9), primeiro, por vir de uma catedrática com extenso cabedal acadêmico, segundo por contribuir para um debate que provoco com objetivo de contribuir na busca de solução para o principal problema da Humanidade, neste século XXI, que é a ameaça do fim do trabalho.
Eu, humildemente, me considero um pensador, sem qualquer veleidade intelectual, mas interessado no bem da Humanidade e do povo brasileiro.
Vejo, a cada dia, em crescimento exponencial, a substituição do trabalho humano por robôs, primeiro, o trabalho braçal repetitivo no chão das fábricas, depois o de relacionamento pessoal no comércio e na comunicação, agora, o de lógica, pois que o computados processa logicamente muito mais rápido do que o ser humano, em breve só restará emprego para as tarefas que exigem inteligência intuitiva, característica quase exclusiva das mulheres, que a Inteligência Artificial (AI), possivelmente, ainda levará muito tempo para adquirir.
No fim, a AI aprenderá a desenvolver algoritmos de seu próprio desenvolvimento, ultrapassando e dispensando programadores humanos. Teremos então o fim do trabalho para o ser Humano. Suponho que isto acabe com uma das premissas fundamentais do marxismo.
Quando esta singularidade ocorrer, o desenvolvimento da máquina será explosivo e a AI dominará integralmente a Terra. Temos aqui a grande incógnita pós singularidade da AI quanto ao destino da Humanidade.
Enquanto esse fatídico dia não chega, teremos que resolver o dilema da escassez de renda, gerada pela falta de empregos, resultando em falta de demanda para a abundância de mercadorias geradas pelos robôs, ao mesmo tempo em que as instituições de ensino terão que fornecer mão de obra cada vez mais inteligente, mais culta e mais adaptável às mudanças, embora em muito menor quantidade. O Ensino terá que ser cada vez mais MERITOCRÁTICO e muito mais focado na excelência.
Tua resposta, querida neta, não responde à minha pergunta. Mas não estás sozinha, outros professores universitários, inclusive nosso amigo Paulo Lima, também não responderam. Aliás, alguns enveredaram pela desqualificação ofensiva e até me acusaram de imitador de Olavo de Carvalho.
Agora sabes que minha preocupação nunca foi a reles disputa política-ideológica de direita versus esquerda, mas de apreensão quanto ao destino da Humanidade, e considerando que o ensino nacional não atende às nossas reais necessidades, poderás buscar resposta à minha pergunta:
ONDE ESTÁ O ERRO DO ENSINO BRASILEIRO?


TRÉPLICA DE BIANCA
Bianca Imbiriba Obrigada, Vovô! 
Assim como no caso da primeira, acho que essa polêmica merecia uma segunda postagem! Kkkkk. Isso porque o tema me interessa bastante e porque acho que já se afasta um pouco dos problemas específicos da educação no Brasil.
Alguns comentários rápidos (depois tento desenvolver melhor):
1. Que o aumento das forças produtivas e desenvolvimento da tecnologia leve, no limite, ao fim do emprego (causando problemas especialmente para a parcela da população que vive de salário) não é algo que vai contra as premissas fundamentais do marxismo: é exatamente o que Marx aponta como tendência em O capital! Já disse isso a você: reconhecemos a mesma tendência, mas discordamos sobre a saída/solução.
2. Não acho que isso seja um problema da educação no Brasil. É um problema do capitalismo! Alguns países são mais bem sucedidos na administração do problema (garantindo que a população tenha o mínimo necessário para a sua subsistência). E fazem isso, veja bem, sem "deseducar" sua população (lembra o que Fernando dizia sobre a Dinamarca?! Escola e universidade pública para todos. Qualquer um pode entrar, sem nem fazer processo seletivo! Enem, pra ele, era um negócio sem sentido.).
3. Não acho mesmo que a saída seja caminhar para um tipo de educação meritocrática, exclusiva, para umas poucas cabeças pensantes, simplesmente porque não vai ter emprego pra todo mundo. Vamos educar, formar e dar cultura para a nossa população, sim. Sonhamos com um dia em que as pessoas não estarão mais preocupadas com ter ou não ter emprego, certo? Quando esse dia chegar, elas precisarão estar bem formadas e informadas para fazer o que quiserem das suas vidas.
Beijos. Te amo 


QUADRÚPLICA DE SEBASTIAO
Querida neta Bianca,
Concordo com muito do que dizes em tua última postagem:
1.      Afirmas, corretamente, que Marx previu a eliminação de empregos pela mecanização industrial.
a.     Em meu entendimento, a eliminação tecnológica do emprego, que também podemos dizer libertação do Homem do trabalho, retira do ser humano um elemento que Marx considera essencial ao Homem, algo que o caracteriza, o trabalho;
2.     Até a ocorrência da singularidade da AI, decorrerá algumas décadas de crescente desemprego, que dizes ser problema do Capitalismo e não do ensino brasileiro, com o que até concordo;
a.     No entanto, livre iniciativa e direito à propriedade de bens de produção sempre estiveram presentes em nossa sociedade e são garantidos pela Constituição, e não me parece politicamente realista esperar mudanças democráticas em curto prazo, o que nos obriga a resolver o problema do desemprego crescente;
b.    Então, sou obrigado a citar o caso emblemático de Singapura que, a partir de 1957 adotou a postura de abertura ao capitalismo e preparou seu povo, através de primorosa educação, a prestar excelentes serviços a todas as empresas que lá buscam facilidades e benefícios que lhes aumente a produtividade, resultando em pleno emprego, prosperidade, bem-estar e satisfação geral da população, que inluem esta pequena nação entre os mais bem colocados em renda per capita e desenvolvimento humano;
3.     Sou totalmente a favor da educação superior de caráter humanista para toda nossa população, desde a mais tenra idade;
a.     Por outro lado, aqui mesmo no Brasil, temos exemplo de educação e pesquisa, numa perfeita sintonia entre o centro gerador de cultura, a Embrapa, e o usuário do conhecimento ali gerado, o agronegócio, que trouxe nosso país ao mais alto nível de competitividade entre os grandes produtores de alimentos para a Humanidade.
b.    Assim, acredito que, diante da realidade dos recursos escassos, comum em todas as economias, deveríamos estabelecer um sistema meritocrático de ensino, desde a pré-escola até o doutorado, acoplado à pesquisa cientifica-tecnológica nos campos onde o Brasil possui vantagens competitivas, preparando nosso país para ameaças as mais diversas, inclusive os pesados investimentos chineses no agronegócio africano oriental, cuja menor distancia da China nos criará desvantagem nos fretes;
c.     Devo, ainda, citar o exemplo do futebol, cujos milhares de olheiros estão sempre atentos ao surgimento de novos talentos infantis a serem imediatamente recrutados para uma vida de educação e preparação de altíssima qualidade que lhes realcem a genialidade e contribua para a vitória de seus times, num sistema absolutamente meritório e recompensador do talento;
4.    O Brasil precisa desesperadamente de enriquecer, e muito rapidamente, para implantar uma Renda Mínima Universal, algo como o imposto de renda negativo proposto por Milton Friedman, e defendido no Brasil por Suplicy, de modo a que, os que não tenham e mesmo os que não queiram emprego, tenham como viver com o mesmo bem-estar e padrão de vida de um aposentado escandinavo.
Se estiveres interessada, lê minhas propostas a este respeito em: http://imbiriba.blogspot.com/search?q=renda+m%C3%ADnima

PRECISAMOS DE EDUCAÇÃO DE ALTA QUALIDADE!
Beijos, querida neta. Obrigado pela atenção que dás a este velho ignorante.
Te amo. Deus te abençoe.

30 de março de 2019

Brasil, vítima da Guerra Fria.

Ao final da Segunda Grande Guerra Mundial, os principais líderes aliados, Roosevelt, Churchill e Stalin, adotaram a proposta de um assistente do presidente americano, Henry Morgenthau, Jr., de completa desindustrialização da Alemanha com objetivo de dizimar sua população, uma vez que não havendo capacidade agrícola de alimentar o país e sem exportações industriais para importar alimentos a fome abateria mais de um terço de seus sessenta milhões de habitantes. A Alemanha, não somente perdeu extensas porções de terras a Leste e Oeste, como todas suas fábricas da zona de ocupação militar soviética e algumas da zona francesa foram desmontadas e transportadas para a União Soviética e para a França.
Morgenthau e Roosevelt queriam, realmente, se vingar da Alemanha e, também, do Japão. Mas, após a morte de Roosevelt, os líderes ocidentais se deram conta de que tal política produziria descontentamentos, revoltas, crescimento dos partidos comunistas, desestabilização e até tomada de poder nas democracias vitoriosas. Seria tremendo erro geopolítico.
O Komintern (Comunismo Internacional) foi criado por Lenin para supervisionar e promover a criação e expansão de partidos comunistas em todos os países, sendo extinto em 1943, às vésperas da reunião de cúpula de Teerã, entre Stalin, Roosevelt e Churchill, como gesto de boa vontade com as potências ocidentais. No entanto foi substituído pelo Kominform em 1947 com finalidades semelhantes, até sua dissolução em 1956 quando a complexidade e independência dos partidos comunistas nacionais, principalmente o francês e o italiano obrigou o PCUS a tratar diretamente, caso a caso, com seus congêneres formais e grupos diversos de todos os matizes revolucionários e terroristas, treinados em países como China, Coreia do Norte, Cuba, Tchecoslováquia e Alemanha Oriental.
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Evidentemente, todo esse complexo de interferências do PCUS em praticamente todos os países também ocorreu no Brasil, aumentando de intensidade a partir da inauguração da presidência Jânio Quadros, quando começou o treinamento de guerrilheiros brasileiros em Cuba, e mais ainda com João Goulart e toda sorte de movimentos esquerdistas.
Para o Ocidente, era evidente o perigo de expansão comunista em plena Europa Central. O Plano Morgenthau foi substituído pelo plano Marshall. A Europa Ocidental prosperou, enriqueceu e adotou sistemas social-democráticos, onde a livre iniciativa produz riqueza e o Estado a distribui, num equilíbrio mais ou menos estável entre Liberdade e Igualdade que predomina até hoje. O Ocidente estava salvo do Comunismo.
No entanto, a política expansionista soviética exercia forte pressão em todos os países do Terceiro Mundo, principalmente sobre colônias asiáticas e africanas, e países latino-americanos. Uma pretensa revolução democrática em Cuba logo se revelou ser artifício para mascarar a tomada de poder pelo Comunismo. O que supostamente poderia ocorrer no Brasil, tendo em vista o ato de Jânio Quadros ao conceder a mais alta condecoração brasileira ao Che Guevara.
Assim como em praticamente toda a América, do México à Patagônia, o Brasil estava submerso em agitações, subversões e conspirações de dois lados, de um o Komintern e seus sucessores na URSS, China, Cuba, etc., e suas diversas ramificações lutando para conquistar o poder, do outro, a reação dos Estados Unidos através da CIA e outras agências e programas de propaganda e ajuda militar e financeira, entre os quais, apenas para exemplificar, a oferta de cursos, na New York University, de operações com ações para operadores nas bolsas de valores brasileiras.
A interferência norte-americana na América Latina vem de muito longe, passando pela Doutrina Monroe da “América para os Americanos”, intervenções nas “banana republics” e ajudas econômicas, algumas de efeito realmente úteis e duradouros, como o “trigo anão” mexicano desenvolvido pela Fundação Rockfeller a pedido do Departamento de Estado, ou da Companhia Siderúrgica Nacional, fruto de negociação direta entre Roosevelt e Getúlio Vargas, em troca do uso da Base Aérea de Natal.
Se a União Soviética se infiltrava e agia nas classes estudantis e trabalhadoras da América Latina toda, os Estados Unidos cooptavam políticos, empresário e militares. E estes detinham, desde tempos coloniais, as fontes do poder: terras, domínio da máquina político-eleitoral e poder econômico num sistema oligopolista em que grupos rivais do mesmo estamento se revezavam no comando das nações. Nestes países predominava o capitalismo de compadrio em que quem estava no poder distribuía cargos, contratos e concessões a seus aliados em troca de outros tantos favores semelhantes. O livre mercado jamais funcionou em tais regimes, ao contrário do que ocorria no Norte das Américas, na Europa Ocidental e nos Tigres Asiáticos. Desta forma, na América Latina, na África e no Sudeste Asiático havia uma minoria dominante muito rica, pequena classe média, dividida, mas formadora de opinião e imensa maioria imersa na mais profunda pobreza, excelente caldo de fermentação de descontentamento e revolta, de comunismo.
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A história dos Estados Unidos da América revela uma nação em constante conflitos de interesses, entre escravocratas e antiescravagistas, monopólios e livre iniciativa, racismo e direitos humanos, machismo e feminismo, etc. A promessa implícita da opção pelo regime capitalista era a possibilidade de solução de tais conflitos por processos democráticos, algumas vezes impostos, nos Estados Unidos, por força armada, institucionalmente democrática, como a Guerra Civil, outras por decisões do Congresso ou da Suprema Corte. Ou seja, os anticomunistas brasileiros acreditavam que o regime democrático capitalista seria intrinsicamente autocorretivo, enquanto os comunistas propunham uma justiça imposta pela ditadura do proletariado.
Acresce que em meados do século XX a sociedade brasileira e da América Latina era, em sua grande maioria, católica e conservadora nos costumes e abominava o ateísmo marxista. A grande imprensa e o estamento político refletiam os sentimentos e os costumes predominantes.
Foi nesse estado de conflito geopolítico entre dois impérios, Estados Unidos e União Soviética, e de opinião popular e da mídia que o Partido Comunista Brasileiro, infiltrado o governo Goulart preparava o golpe para assumir o poder.
Em fevereiro de 1964, soube que um amigo - que eu conhecera em Fernando de Noronha, onde ele servira como tenente do Exército Brasileiro e eu, ainda adolescente, passava férias escolares - estava matriculado na Escola de Estado Maior, já no posto de major. Foi esse amigo que me introduziu à poesia de Omar Caiam e ao Socialismo, e me emprestou livros sobre marxismo, que li às escondidas de meus pais.
Fui visitá-lo. Na conversa, o amigo me revelou que o Partido Comunista Brasileiro estava preparado para assumir o governo, mantendo João Goulart como figura de frente, mas com o poder nas mãos de Luiz Carlos Prestes e que ele, meu amigo, assumiria algum posto importante.
Se meu amigo, major do Exército, de modo tão confiante, me revelava planos secretos do golpe comunista, os serviços de inteligência das Forças Armadas, certamente, estariam ainda mais bem informados.
As Forças Armadas agiram em resposta ao clamor popular, da mídia e do Congresso Nacional, e mais ainda, em autodefesa para evitar a repetição da mortandade da Intentona Comunista de 1935, e o fizeram impulsionadas pela CIA e as Forças Armadas do Estados Unidos que agiam não somente no Brasil, mas também em outras nações latino-americanas e mundiais em luta titânica contra a União Soviética. O Movimento Militar de 31 de março de 1964, foi uma ação de autodefesa da sociedade brasileira e do poder norte-americano, institucionalizado com a posse do Senador Ranieri Mazzilli na presidência da República e fortemente apoiado por multidões em passeatas por todo o país, por empresários, proprietários rurais, classe média, Igreja Católica, pelos governadores Magalhães Pinto, Adhemar de Barros e Carlos Lacerda, pelos Diários Associados e seus rádios, revistas, jornais e emissoras de TV, O Globo, Rede Globo, Folha de São Paulo, Correio da Manhã, Jornal do Brasil, O Estado de São Paulo e O Estado de Minas.
A Ditadura Militar, consolidada pelo AI 5 emitido em 13 de dezembro de 1968, para combater insurgências e guerrilhas de forças comunistas, ocorreu com a posse na presidência pelo General Costa e Silva, em 15 de março de 1967, e a morte do Marechal Castelo Branco.
Houvesse prevalecida a opinião de Morgenthau, a Alemanha, independentemente da vontade de seu povo e de seus líderes retornaria à Idade Média. Felizmente, para esse país, para a Europa e para o Mundo, visão mais esclarecida prevaleceu e livrou a maior parte das nações da desgraça do Comunismo, geopolítica de verdadeiros estadistas, do Presidente Harry S. Truman, com a Doutrina Truman, e do General George Catlett Marshall, Jr., com o Plano Marshall.
Da mesma forma que a Alemanha escapou da miséria, do genocídio e do Comunismo, também o Brasil foi salvo pela ação geopolítica dos Estados Unidos da América, e é isso que a História nos afirma: O Brasil foi vítima da Guerra Fria.