3 de fevereiro de 2009

A Grande Crise de 2008 - Origens

Há quase sete anos, em junho de 2002, no tópico intitulado "Não compre dólar", parte de crônica publicada em jornal desta cidade, exortei os leitores a não comprar dólar. Reproduzo aqui trechos do artigo. "Por mais de um século, dólares têm saído dos Estados Unidos da América para comprar coisas e financiar projetos e viagens. Esses dólares permanecem fora dos EUA. A massa monetária externa é muito maior do que a interna. O excesso de dólares correntes no mercado mundial é enorme". ... "quando essa dinheirama começar a perder credibilidade, vai ser um Deus nos acuda. Ninguém vai querer reter moeda podre. Será a derrocada da maior potência que o Mundo já viu".

"Todas as nações serão afetadas. A crise será muito maior do que a de 1929. Quando os dólares retornarem, a inflação nos EUA será astronômica. O poder de compra dos EUA cairá quase a zero e o maior importador mundial não comprará mais nada. As demais nações não terão para quem vender seus excedentes. Todos os países entrarão em profunda recessão e esta persistirá por mais de uma década".

Quando os Estados Unidos saíram da Recessão de 1929 e da Segunda Grande Guerra eram o país mais rico e poderoso do Mundo, e com interesses econômicos e políticos globais. Confiantes nesse poderio militar e financeiro, gastaram rios de dinheiro com o Plano Marshall, que reergueu a Europa e a salvou do Comunismo, com a ocupação e desenvolvimento da economia japonesa, com as guerras da Coréia e do Vietnam, e principalmente com a corrida armamentista da Guerra Fria.

Agora é o sorvedouro de recursos das guerras do Afeganistão e do Iraque. A União Soviética não possuía a mesma base econômica para acompanhar o arsenal militar americano e entregou os pontos. Os Estados Unidos venceram, mas sua economia estava minada, principalmente a partir das crises do petróleo da década de 1970 que inverteram o balanço financeiro das contas externas. Simultaneamente, seus industriais, em lugar de tornar mais eficazes seus métodos e processos produtivos, passaram a investir no terceiro mundo em busca dos baixos salários que tornariam seus produtos mais competitivos, embora deixando os operários americanos sem ter o que fazer. Com os investimentos foram também as tecnologias que os ágeis empreendedores do terceiro mundo souberam copiar e, muitas vezes, superar. Daí o sucesso dos tigres Asiáticos, mais uma vez, agravando o viés negativo das contas externas
americanas.

Os Estados Unidos, importando muito mais do que exportando, passaram a viver de crédito, da falsa solidez de sua economia, emitindo dólares e letras do tesouro absorvidos em quantidades cada vez maiores por bancos centrais, investidores e industriais construindo reservas. Era uma situação insustentável. O governo e o povo americanos gastavam muito mais do que ganhavam. A moral foi relaxada e, com ela a disciplina. A leniência se alastrou pela sociedade. As universidades diminuíram o ritmo de produção tecnológica. A eficiência americana se degradou e foi superada por asiáticos e europeus. A ruptura seria inevitável.

Esta foi a leitura de minha bola de cristal particular em 2002. Estamos vendo agora que não apenas os Estados Unidos abarrotaram o resto do Mundo com os dólares das transações comerciais e títulos do tesouro, dos empréstimos do governo americano. Uma outra espécie de moeda, criada pelo sistema de financiamento habitacional, os "derivativos" dos títulos hipotecários, sem conhecimento ou controle pelo Federal Reserve Bank, se tornaram a coqueluche dos operadores financeiros no mundo todo.

Numa época de dinheiro abundante e barato, concorrência acirrada e "spreads" apertados, bancos hipotecários só fariam lucros compensadores se os volumes negociados fossem enormes. A ânsia por fechar cada vez mais e maiores negócios forçou os analistas de crédito a baixar além do minimamente aceitável os critérios de concessão de hipotecas, inclusive com várias delas sobre o mesmo imóvel. Daí o boom na construção e as hipotecas múltiplas para aquisição de bens de outra natureza sem qualquer justificativa econômica. Claro, os riscos seriam enormes e, por isso mesmo, algum experto inventou o método de ratear o risco com quem adquirisse "derivativos", em última análise, cotas ideais das hipotecas, pagando prêmios extremamente atrativos a qualquer ganancioso pronto a ganhar muito no imediato e perder tudo no longo prazo. Quando o Fed aumentou os juros básicos, para controlar a inflação, e os mutuários não puderam mais pagar as crescentes prestações dos imóveis, e dos carrões, viagens e piscinas adquiridos com terceiras e quartas hipotecas, o mundo veio abaixo, bancos faliram, ações em bolsas caíram a valores irrisórios, a desgraça se espalhou pelo mundo todo.

O mundo dos negócios, o mercado, tem que cair na real e reaprender a viver de modo economicamente saudável e ético, retornando á produção primária e secundária de bens, onde está a verdadeira riqueza, ao invés de aplicar golpes financeiros na Humanidade. Os agricultores americanos têm que aprender a produzir de verdade e a viver sem subsídios. Os industriais têm que readquirir a inventividade e a capacidade empreendedora. O sistema financeiro tem que aprender algo que nunca soube, seus executivos têm que ser criteriosos e honestos.

Parece que o novo presidente tem algo novo a introduzir no governo americano: Ética. E aqui reside a esperança. Mas é necessário tempo, de um a quatro anos em cada fase, para entender o que aconteceu, descobrir como vencer as dificuldades, testar as teorias até acertar e, finalmente, retornar à prosperidade, agora, então, em bases mais sólidas e duradouras. Até que novos erros sejam cometidos e a Humanidade tenha que sofrer e reaprender tudo de novo.

Vamos ver o que acontece neste processo, que será penoso e lento, no qual o Brasil tem importante papel a exercer. Daqui a seis ou sete anos voltarei ao assunto.

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27 de janeiro de 2009

Aeroporto mixuruca

Meu dileto amigo Odair Correa - com seus novos e belos cabelos negros, que há algum tempo prefere, em lugar de suas antigas e características melenas grisalhas, que lhe davam certo charme, que perdeu - criou e protagonizou belíssimo factóide ao melhor estilo César Maia. Odair induziu o presidente da INFRAERO a vir a Santarém do Tapajós pagar tremendo mico. O brigadeiro trouxe o contrato do projeto do que será a futura estação de passageiros do Aeroporto de Santarém, contrato este já assinado em Brasília pelas partes competentes, para que nosso amado vice-governador lhe acrescentasse sua preciosa assinatura, como TESTEMUNHA, sob caridosos aplausos de convidados muito bem selecionados.

A esdrúxula ocorrência se deu na tarde de 22 de janeiro de 2009, no auditório da UEPA em Santarém. Cerimônia plena de pompa e circunstância para falso testemunho. O que seria de total inutilidade, não fosse a oportunidade aproveitada por espíritos atentos que detectaram incongruência no pré-projeto e alguém mais atrevido não alertasse o público para o crime que se prepara contra Santarém do Tapajós, contra o Pará d'Oeste, o futuro Estado do Tapajós renegado por Odair.

A premissas que orientam o projeto a ser elaborado e recém-contratado tem um horizonte de oito anos, isto é, define as instalações necessárias ao atendimento do número de pessoas que circularão no Aeroporto Wilson Fonseca em 2017. Ocorre que o tempo gasto, a partir da assinatura do contrato, para elaboração do projeto mais o que será despendido na construção - se não houver hiato entre o término de um e a licitação da outra - decorrerão quase quatro anos, metade do horizonte previsto.

Trocando em miúdos, isto significa que, a partir da data de sua inauguração, em 2013, a vida útil do novo aeroporto será de apenas quatro anos, quando já estará saturado e requerendo ampliação. Quatro anos após sua inauguração, o novo aeroporto estará nas mesmas condições precárias de atendimento ao público em que o atual se encontra hoje. Para projeto desse porte, vida útil de apenas quatro anos é, realmente, absurda insignificância.

Não sou noviço no assunto. Acompanhei o projeto do aeroporto do Galeão, realizado pela Hidroservice na segunda metade da década de 1960, o qual previa quatro módulos, um dos quais foi construído em seguida. Logo, esse módulo estava saturado. No entanto, o segundo módulo só foi construído após delongas e hesitações. Era o caso de vários aeroportos pelo Brasil afora que tiveram que aguardar por longos anos até que a Infraero construísse novas instalações. Um dos poucos casos sem solução é o aeroporto de Santarém do Tapajós e todos sabemos do empenho com que, desde que chegou a esta Terra da Felicidade, Luiz Barra se esforça por fazer a direção da Infraero a dar soluça de emergência à atual estação de passageiros e iniciar a construção do novo aeroporto.

Em toda parte, muito tardiamente se tomou a iniciativa de projetar e construir melhores aeroportos. Em todos os casos, por muitos anos, as cidades servidas por eles sofreram a obsolescência de seus aeroportos. E nós ainda teremos que penar tais agruras por mais quatro anos enquanto se projeta e constrói as novas instalações. Infelizmente, conforme se depreende da forma como foi apresentado o pré-projeto, este aparentemente inevitável problema se repetirá a partir de 2017 com a prematura obsolescência do novo aeroporto de Santarém do Tapajós.

Por isso mesmo, o projeto deve prever ampliações rápidas, fáceis e baratas. O assunto tem que ser discutido e esclarecido, e nada melhor para isto do que a realização de audiências públicas para debater premissas, parâmetros e paradigmas do projeto a ser elaborado. Agora sim, aqui caberia bela iniciativa de Odair, não para criar palanque de prosopopéias e autopromoção, mas para que o povo objetivamente discuta e decida sobre assunto de tão vital importância para sua vida econômica, cultural e social.

É isto o que esperamos de Odair. É isto o que lhe restituirá respeito e apreço dos que, apesar dos desapontamentos, continuam amigos de sempre. Audiência pública e imediata do aeroporto. É isto o que exigimos.

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América, o renascer da Liberdade.

Na fase mais intensa da Guerra Fria, em 1966, estando na Califórnia, visitei um jovem casal que percorrera a Amazônia em viagem de férias no ano anterior. John e Mary residiam em Manhatan Beach, cidade satélite de Los Angeles. Sentei-me à esquerda do diretor de recursos humanos da companhia telefônica, empresa de severas regras tradicionais e, ele mesmo, um patriota radical que presidia o jantar e era o pai de John. Na conversa, mencionei a vida comunitária dos cristãos primitivos, o que foi interpretado como defesa do comunismo e causou reação violenta do senhor à cabeceira da mesa, o que deixou a todos muito constrangidos.

Após o jantar, o casal procurou amenizar o desconforto e John indagou quem e por que, em minha opinião, sairia vencedor da Guerra Fria. Respondi que, certamente, os Estados Unidos seriam vitoriosos pelo simples fato de que, na América, onde há liberdade e o governo é democrático, os cidadãos são livres e empreendedores, enquanto que, na Rússia, o povo sempre vivera subjugado e com iniciativa atrofiada pela burocracia. A liberdade carrega o germe da renovação e da correção de rumos, enquanto a ditadura conduz à estratificação e deterioração moral irreversíveis a não ser por um colapso ou ruptura violenta.
Menos de trinta anos depois minha profecia se concretizou.

A América não é um paraíso de paz eterna. Pelo contrário, é caldeirão de interesses contrapostos a disputar posições que, às vezes, chegam a brutais agressões dos opressores aos que tentam se livrar do jugo. Apesar disto, há mais de duzentos anos a América é uma democracia estável. Exceto pela Guerra de Secessão durante o mandato de Lincoln, que estabeleceu o princípio da indivisibilidade dos Estados Unidos, todas as suas grandes questões tem sido resolvidas institucionalmente pelos poderes constituídos. Os que projetaram a democracia americana construíram não o paraíso dos sonhos, mas o ambiente propício a que interesses de todos os tipos se entrechoquem até que o debate esteja suficiente maduro e, então, a solução surja por uma resolução da Casa
Branca, lei do Congresso, decisão da Suprema Corte ou, mais importante, pelo voto livre e espontâneo dos cidadãos ou pelo ajuste entre as partes.

Os autores da Declaração de Independência afirmam acreditar "que todos os homens são criados iguais, que eles são investidos pelo Criador em certos direitos inalienáveis, entre os quais a Vida, a Liberdade e a busca da felicidade. Que para assegurar estes direitos, os Homens instituem governos que derivam seus justos poderes do consentimento dos governados".

A incongruência desta declaração - ao mesmo tempo sua mensagem de esperança em que o Homem, vivendo em liberdade e sob governo democrático e consentido, pode, progressivamente, aperfeiçoar seu modo de vida - reside no fato de que a maioria de seus signatários eram senhores de escravos. De quatro de julho de 1776, data de sua assinatura, ao dia da posse de Barack Obama, em vinte de janeiro de 2009, decorreram duzentos e trinta e três anos de governo estável presidindo disputas intensas em busca da plenitude dos direitos humanos. O povo americano nunca teve nada concedido, tudo que conseguiu foi obtido em lutas memoráveis e comoventes, como o ano inteiro de boicote às empresas de ônibus discriminatórias liderado por Martin Luther King.

Nestes mais de duzentos anos, todos os demais países sofreram toda sorte de alterações políticas bruscas, muitas vezes violentas, quase sempre por iniciativa de minorias desligadas do povo, quase todas acompanhadas de grande mortandade, a começar pela Revolução Francesa, inspirada na Revolução Americana.

A Declaração de Independência afirma, ainda, e aqui está o embasamento da estabilidade institucional: "A prudência impõe que governos longamente estabelecidos não devam ser mudados por motivos leves e transitórios"... "Mas, quando um longo desencadear de abusos e usurpações"... "escapa a projeto de reduzi-los, é seu dever, é seu direito, despachar tal governo e providenciar novos guardiões de sua segurança futura". Portanto, governantes democráticos sabem que não serão substituídos sem poderoso motivo, porém não podem abusar
indefinidamente da paciência do povo.

O mundo está voltado para a América. A eleição de Barack Obama tem o significado transcendental da restauração das aspirações de liberdade do povo americano, mudança de rumo quando o caminho trilhado contrariava a vontade da maioria, renovação de esperanças de que o trabalho de todos conduza a uma América mais justa, mais igualitária, mais estável economicamente e mais segura para se viver. E o que de bom acontece na América se reflete e inspira o mundo.

A posse de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos da América é o fecho extraordinário de uma grande série de lutas de muitos líderes, como Abraham Lincoln e Martin Luther King, é o recomeço da República, é o reviver do sonho, é o renascer da Liberdade.

Onde reside a Felicidade?

Quando olhamos ao nosso redor, quando lemos os jornais e revistas ou assistimos televisão, tanto faz se noticiários ou novelas, parece-nos que o mundo está cheio de infelicidade e que a busca da felicidade, embora intensa, é infrutífera. Assim como os da ficção, os romances da vida real são oceanos infindáveis de sofrimentos morais intermináveis. Será que o ser humano foi criado para sofrer? É este seu implacável destino?

Há pessoas que vivem para sofrer, estão sempre descontentes com tudo e com todos, nada nem ninguém as satisfazem, carregam a amargura pela vida e despejam essa carga negativa sobre quem delas se aproxima. É extremamente penoso conversar socialmente ou mesmo tratar de negócios com esses espantalhos da alegria, cabides de pesares e arautos do purgatório.

No entanto, conheço pessoas que teriam muitos motivos para se sentirem infelizes. Uma, em particular, perdeu o marido assassinado quando ainda jovem e com cinco filhos pequenos. Depois perdeu um irmão que saiu de sua casa, onde morava, para ir até a esquina comprar cigarros e, simplesmente, desapareceu sem nunca mais se ter notícias dele. Em seguida, em intervalos de poucos anos, perdeu três filhos falecidos prematuramente, e um dos que restaram raramente dá alguma notícia.

Pois bem, esta mulher, que hoje tem noventa e oito anos, e se mantém ativa e lúcida, sempre foi a alegria em pessoa. Mesmo nos momentos mais traumáticos, ela irradia felicidade e todos os que se aproximam dela são tomados pela aura de contentamento perene que a envolve. Certamente, esta é uma pessoa abençoada. Mas de onde tira ela tanta alegria, tanta serenidade, como consegue ser feliz e fazer outras pessoas tão felizes quanto ela própria? Depois de ter convivido com ela e com outras pessoas que também são assim ou que adquiriram essa preciosa qualidade, cheguei à conclusão de que elas possuem a felicidade dentro de si mesmas. E se não a tinham, aprenderam, com o tempo, a cultivar a felicidade dentro de seus corações.

É fato que a felicidade não exclui o sofrimento, transforma-os. Nada pode atenuar a dor da perda de um filho ou de outro ser amado. Mas, quando somos felizes por nossos próprios meios, independentemente de outros, esse sofrimento se transforma em saudades, em lembranças agradáveis de nosso convívio com o ente querido que perdemos. Sim, perdemos a visão material da pessoa, seu toque, som, cheiro, mas o convício permanece na lembrança, na rememoração dos momentos felizes que tivemos juntos.

A felicidade não está em algo ou alguém fora de nós. Não é em outras pessoas ou em coisas que devemos buscar a felicidade, nem será com elas ou nelas que a encontraremos se não a tivermos em nós próprios. Quando dependemos de alguém para ser felizes, estamos condenados á infelicidade. Se buscamos a felicidade em coisas materiais obteremos apenas frustração.

A felicidade reside em cada um de nós. Em maior ou menor grau, ela está dentro de nós. Nascemos com o germe da felicidade. É necessário reconhecer este fato. Quando descobrimos que a felicidade está dentro de nós e começamos a cultivá-la, tratá-la com carinho, aninhá-la, aquecê-la, ela florescerá e frutificará. Não podemos dar o que não temos. O amor é completo quando cada amante carrega dentro de si seu próprio tesouro de felicidade. Não poderemos dar felicidade se não a tivermos em primeiro lugar. E quando a tivermos, se a fizermos crescer e fortalecer, então, não apenas seremos felizes, ainda que em momentos de sofrimento e solidão, como saberemos fazer felizes aqueles que
amamos.

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Santarém 2009 – Segundo Turno

Há entendimento unânime de que oficiais de Estado não podem participar de atividades políticas. Neste caso incluem-se os que exercem funções judiciais, fiscais, militares e policiais. Uma interpretação, possivelmente falsa, desta premissa democrática do Estado de Direito nos trouxe à presente situação. Após eleições invalidadas, ainda pendentes de decisão final no Supremo Tribunal Federal, nos preparamos para eleger o prefeito de Santarém.

As forças que se deparam num cenário de possibilidades de sucesso eleitoral são as comandadas por Maria do Carmo, Lira Maia e Antonio Rocha. Três forças que, sozinhas, são insuficientes para conduzir seus candidatos à chefia do município, mas que unidas duas contra uma, aumentam a probabilidade de vitória. Isto foi plenamente provado na recente eleição invalidada. Maria e Antonio juntos foram vitoriosos.

Este "Segundo Turno", no entanto, é uma nova eleição e o que valia na primeira não se aplica na segunda. Antonio Rocha sabe que tem faca e queijo na mão. A facção de Maria depende do apoio dele, e sabe disto. A de Lira Maia também sabe. Maria e Lira Maia terão que oferecer o que puderem em troca do apoio de Rocha. Ambos já demonstraram explicitamente que desejam tal acordo. Há quem diga que Lira Maia ofereceu apoio ao candidato que Rocha indicar.

Everaldo Martins, em nome de Maria, não fica atrás, só que ainda tenta indicar candidato. A decisão não depende apenas de Antonio Rocha. Jader ainda não se manifestou e pode usar o caso de Santarém para, mais uma vez, colocar em cheque a governadora Ana Júlia. O caso seria matéria será estritamente paraense, dependendo da qualidade do cacife de Maria e de Ana em nível federal para forçar a direção de Jader. Para isto teria que haver explícito e improvável pedido de Lula. Assim, Santarém será o gambito de Jader para promover seus interesses com vistas às próximas eleições estaduais.

Estamos, desta forma, entregues às decisões de Jader Barbalho e Antonio Rocha. Na hipótese de que estes se decidam por promover o PMDB, terão que entrar em acordo com DEM e PSDB. Se mantiverem a atual convivência com o PT será em troca de maiores e mais importantes concessões, inclusive a indicação do candidato.

Alguns levantam a possibilidade de que, numa opção de Rocha contrária a Maria, Ruy e Maurício Correa poderiam se manter fieis a esta. Eis um caso de divergência entre compromissos pessoais e fidelidade partidária. Uma incógnita. Quem desejar saber a resposta terá que pagar o preço.

Os demais partidos da atual aliança com o PT constituem frágil malha que se esgarçará ao menor esforço. Aqui não há a menor coesão. Os interesses partidários e pessoais prevalecerão. Ainda mais porque há fortes ressentimentos por alegada falta de apoio financeiro do PT aos estes aliados das últimas eleições.

As escaramuças apenas começam e não se pode especular em ralação aos possíveis candidatos. O PT anseia com o desespero de uma dispnéia pelo ar que Antonio Rocha lhe possa dar. Lira Maia julga acertadamente que sozinho não irá a lugar nenhum e joga seu peso político no apoio a Rocha.

O certo é que Antonio Rocha sabe que este é o seu momento. Os riscos são grandes, as recompensas maiores. A decisão que tomar o levará a um promissor futuro político ou à estagnação no estágio atual. Cabe a ele acertar seus interesses com os de Jader e alçar seu próprio vôo.

A palavra final, no entanto, será nossa. Nós, eleitores, decidiremos.

11 de novembro de 2008

BR 163 – Dez pro Maggi, Zero pra Carepa.

Seria muito bom saber o que se passa no coração do presidente Lula em relação ao prestígio dos governadores, o quanto cada um deles é dignificado com as atenções presidenciais e com a nomeação de seus indicados a cargos relevantes, carreadores de benesses para os respectivos estados.
Não interessa os demais estados. Apenas dois são realmente importantes para esta gente sofrida e sempre desapontada do Pará do Oeste: Mato Grosso e Pará, cujos governadores são, respectivamente, Blairo Maggi e Ana Júlia Carepa. Maggi tem influência e força suficientes para indicar o chefão do DNIT – Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes, órgão que interessa profundamente os estado do Mato Grosso e do Pará, pela importância das estradas Cuiabá-Santarém e Transamazônica.
Desta última nem é bom falar. Seu trecho mais importante e o que carece de maiores cuidados - neste momento de graves problemas econômicos, das agruras sociais deles decorrentes, assim como as agressões ambientais, todos eles mutuamente enrabichados num círculo vicioso - é o compreendido entre Altamira e Itaituba. Aqui, temos zero de investimentos em asfalto e praticamente zero em manutenção. É uma estrada relegada ao abandono. As populações dos municípios a que serve são tratadas como escória sem a mínima importância para os políticos do partido do presidente, inclusive a governadora Carepa. Este partido alardeia ser isto mesmo, partido do presidente. Partido do presidente... Melhor seria se não fosse. Pelo menos não passaria tanta vergonha pelo desprestígio que a cada momento demonstra não possuir. O presidente não lhe presta nem lhe dá a menor atenção. Prefere os aliados, ou mesmo algum adversário mais promissor. Zero pra Carepa.
Pagot é homem de Blairo Maggi, faz o que o governador manda. Maggi falou pra Lula botar Pagot no DNIT. Maggi tem prestígio. Lula sorriu e decretou: Pagot no DNIT. O DNIT faz rodovias, ferrovias e hidrovias. Basta dizer isto pra saber a enorme importância desse órgão para estados como Mato Grosso e Pará, cujas enormes distâncias e economia descentralizada exigem eficiente malha de transportes. Dez pro Maggi.
Pagot esteve em Santarém, prometeu maravilhas pra BR 163 do Pará, logo logo estaria prontinha, brilhando, toda asfaltada, pontes, acostamentos, policiamento, tudo. E tudo pronto já no ano que vem, 2009. Todo mundo aqui ficou contente. Pagot é o tal, o cara, o cão chupando manga. Ninguém se lembrou de que ele disse que há embargos ambientais. Embargos ambientais? Por quê? Projetos mal feitos, incompletos, propositalmente errados para que haja embargo? Se assim é, a culpa é do projetista incompetente, que projetou, e do DNIT desidioso que não controlou, e que talvez tenha encomendado que assim fosse. Temos que desconfiar de tudo e todos. Somos enganados por todos o tempo todo. Isto aqui é casa de Mãe Joana. E a gente não se toca. Zero pra nós.
Ninguém se lembrou de pedir pra Carepa ajudar, dar uma forcinha junto ao Lula. Também, pra que? Carepa não ta nem aí, não quer nem saber, além do mais, não transita no poder do presidente. Pagot virou as costas e mandou ferro. Tirou toda a grana da BR 163 do Pará do Oeste e mandou tudo pra BR 163 do Mato Grosso do Norte. Ficamos a ver navios, ou melhor, a ver as balsas da Maggi que aqui chegam pelo Madeira. O partido do presidente e a governadora do partido do presidente ficaram com cara no tacho, não mandam nada, não apitam nada, nulidade quando se trata de defender interesses do estado. Zero pra Carepa.
Não é a primeira vez que somos atingidos por bofetadas morais do senhor Blairo Maggi. Sua indelicadeza já deixara rubras marcas de seus dedos na face de Simão Jatene quando, junto a Lula, decidiu questões da BR 163 no Pará sem ao menos avisar o governador deste estado. Agora, violenta bofetada atingiu o rosto apático de Carepa e, por extensão, de todos os ingênuos paraenses. Também, com tal representação política que temos por aqui é o que merecemos. Com o partido do presidente a nos defender, tomamos porrada. Com a governadora Carepa a nos proteger, lá vem bordoada. Joga bosta na Geny, Pagot...
Assim se conta a estória, a eterna novela da sempre fracassada defesa de nossos mais legítimos interesses econômicos, sociais, ambientais e morais. Infelizmente, somos forçados a sofrer, impotentes, tamanha vergonha. Não somos capazes de ter representação política à altura de nossas ambições. É por isso que sofremos tantas derrotas, tanta humilhação. Dez pro Maggi. Zero pra Carepa.