20 de maio de 2019

Definição de Comunismo no século XXI


Comunismo é o utópico estado de espírito universal no qual todas as pessoas se tornarão magnânimas, desprendidas e solidárias, voluntariamente desprovidas de bens de produção, que se governarão por decisões exclusivamente plebiscitárias e apartidárias ou unipartidárias, após serem educadas por um sistema ditatorial totalitário imposto, pelo assassinato da burguesia, por uma classe representativa do proletariado extinto, na primeira metade do século XXI, pela Inteligência Artificial.
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Esta provocação não objetiva a discussão, a meu ver inútil, sobre Comunismo, mas sobre as ameaças da AI e da robotização que extinguem milhões de postos de trabalho em toda a Humanidade.
Agora mesmo, discutimos uma impossível estabilização financeira com a reforma da Previdência.
Como financiar a Previdência se os salários são absorvidos por robots?
Não quero opinião de ideólogos do marxismo, quero ouvir economistas.

14 de abril de 2019

ONDE ESTÁ O ERRO DO ENSINO BRASILEIRO?


PERGUNTA DE SEBASTIAO A BIANCA
Peço a ti, leitor, que de fato quer ver o Brasil progredir pela educação de alta qualidade, responda à pergunta no final destas observações:
1.      Diversos comentaristas consideram Paulo Freire um dos maiores educadores de todos os tempos;
2.     No período de 30 anos, 1985 a 2015, os professores brasileiros tiveram plena liberdade de cátedra e sem crítica;
3.     No mesmo período de 30 anos, as Universidades brasileiras gozaram de plena autonomia administrativa e educacional;
4.    A partir de 1992, o Brasil foi governado por políticos de esquerda, desde o centro-esquerda Itamar e o socialdemocrata Fernando Henrique, passando pelo socialista Lula até a comunista Dilma;
5.     Brasil investe 5,7% do PIB, um dos índices mais altos entre os 42 países da OCDE, a frente de Reino Unido, Canadá e Alemanha, sendo o 15º que mais investe em relação ao PIB;
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6.    Brasil está pessimamente colocado em 53º lugar no Pisa, entre 65 países;
7.     As universidades brasileiras estão entre as últimas classificadas no ranking mundial;
8.    O extenso analfabetismo funcional revela que a educação básica brasileira é muito deficiente;
9.    O enorme desemprego sistêmico, principalmente a imensa dificuldade do primeiro emprego, atesta que a educação brasileira em todos os níveis não prepara o cidadão para autonomia econômica;
ONDE ESTÁ O ERRO?

RESPOSTA DE BIANCA 12/04/2019
Para você, Sebastiao Imbiriba! Tardo, mas não falho.
Como muitos sabem, meu avô é um ser humano instigado! Uma pessoa com a qual, a despeito das divergências políticas, procuro manter um diálogo franco, aberto e fraternal. Não temos tido muito tempo para conversar, claro, em função da correria do dia a dia. Mas como a última polêmica, em particular, tinha relação direta com a nossa vida dentro da universidade, e como as universidades públicas tem sofridos muitos ataques no período recente (entre outros tantos que ainda estão por vir), julguei por bem fazer uma resposta mais cuidadosa, que compartilho publicamente com vocês (em parte dela, inclusive, conto com a ajuda do colega Allan Kenji). Escrevo para todos, esperando que outras vozes também venham se somar ao nosso debate.
A questão era basicamente a seguinte questão: por que as universidades públicas estão entre as últimas colocadas no ranking mundial das universidades, se gastamos tantos recursos com educação (aproximadamente 5,7% do PIB, próximo à média dos principais países da OCDE, acima de Reino Unido, Canadá e Alemanha)? A resposta segue abaixo:
1. Somos um país pobre em comparação com os demais (é só olhar os indicadores: PIB, PIB per capita, IDH etc.). Dizer que gastamos o mesmo em educação como percentual do PIB nada nos diz sobre o tamanho dos gastos em termos absolutos. Enquanto o PIB da Alemanha é de US$ 3,7 trilhões e o do Brasil é cerca de US$ 2,0 trilhões.
2. Somos um país com uma população gigantesca! Dizer que gastamos o mesmo em educação como percentual do PIB nada revela sobre o gasto por estudante. “São cerca de 6,6 milhões de estudantes no ensino básico alemão e 48 milhões no brasileiro, por exemplo. Por isso, o relatório da OCDE deixa claro que o Brasil está abaixo da média no valor investido por estudante. Enquanto a Alemanha está acima do que destina a maioria dos membros da OCDE, gastando cerca de US$ 10,8 mil por aluno/ano, o Brasil aparece com cerca de US$ 3,8 aluno/ano. A média da OCDE é US $ 9,4 mil”. (Fonte: https://politica.estadao.com.br/…/brasil-investe-porcentag…/). Gastamos pouco, portanto.
3. No caso das universidades brasileiras, os gastos se elevam substantivamente: “quase US$ 11,7 mil. [...] Com esse montante, o Brasil se aproxima de alguns países europeus, como Portugal, Estônia e Espanha, com despesas, respectivamente, por aluno universitário, de US$ 11,8 mil, US$ 12,3 mil e US$ 12,5 mil, e até ultrapassa países como a Itália (US$ 11,5 mil), República Checa (US$ 10,5 mil) ou Polônia (U$ 9,7 mil). A média nos países da OCDE é de US$ 16,1 mil, puxada por despesas mais elevadas de países como os Estados Unidos, Noruega, Luxemburgo e Reino Unido”. (Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-41236052). E houve, de fato, um aumento nas verbas destinadas às Universidades entre os anos de 2003 e 2012 (que passaram de 10,3 bilhões para 25,9 bilhões). O erro, mais uma vez, está em não olhar os dados como um todo.
4. Ainda que a gente conviva diariamente com muuuuuuuitos problemas (de infraestrutura, condições de trabalho, condições de estudo, motivo pelo qual estivemos mobilizados durante todos esses anos), o aumento da verba de fato se converteu em uma expansão da estrutura física, aumento no número de vagas (em mais de 100%, passando de 109 mil para 231mil) e aumento do corpo docente (em 44%).
5. Além disso, as verbas destinadas às Universidades financiam não apenas atividades de ensino, mas também a pesquisa e a extensão (motivo pelo qual não podem ser comparadas com as verbas para os outros níveis de ensino). Sobre esse ponto, compartilho as palavras do colega Allan Kenji, que não poderiam ser mais apropriadas:
“As universidades têm por definição no Brasil: a) a indissociabilidade entre as atividades de ensino, pesquisa e extensão e b) a autonomia político-administrativa. Essa é a principal razão pela qual todas as tentativas de comparar o orçamento público destinado a essas instituições com outro nível de ensino são falaciosas, pois as universidades não se restringem apenas às atividades de ensino e custeiam diversos outros elementos como a pesquisa e a extensão, o que significa custear e investigar em infraestrutura pesada de pesquisa como laboratórios, equipamentos, insumos de pesquisas, mas também hospitais universitários, museus, e centros aglutinadores como observatórios astronômicos, centros de culturas vegetais e marinhas, bases avançadas de pesquisa e coleta de dados e até mesmo artefatos de altíssima densidade tecnológica como os aceleradores de partículas e os laboratórios de energia nuclear.
Aliás, os dados produzidos pelo próprio Ministério da Ciência e Tecnologia demonstram que as universidades respondem por praticamente toda a infraestrutura de pesquisa instalada no Brasil. Afinal, os capitais não fazem pesquisa e desenvolvimento em território nacional e as raras unidades de pesquisa e desenvolvimento estabelecidas em empresas como a Petrobrás e a Embraer resultam em grande parte de convênios e parcerias com centros de pesquisas e laboratórios das universidades públicas.
As universidades públicas são responsáveis por toda a pesquisa de base. Seja nas fronteiras do desenvolvimento do repertório interpretativo no campo da sociologia às novas fronteiras do conhecimento na física de partículas subatômicas, todo esse conhecimento só existe porque as universidades públicas ainda resistem”.
6. Por fim, o fato de não termos “subido” no ranking mundial (onde as instituições privadas de ensino sequer aparecem!), não significa que não houve melhorias em termos absolutos (como as mencionadas acima). Trata-se de um ranking: se todas melhoram, não pode haver uma mudança relativa de posição.
7. Por fim, concordando plenamente com Allan, creio que “A defesa dos recursos públicos para a educação pública, da creche à pós-graduação, portanto, não pode fazer oposição entre a educação básica e superior, mas formar uma unidade de todos aqueles que defendem irrestritamente a educação pública nacional”! Ou você está a favor da educação pública, ou está contra ela.


RÉPLICA DE SEBASTIAO 13/04/2019
Querida neta Bianca,
Tua resposta à minha provocação à moda de Sócrates, o grande perguntador, enche de orgulho este pobre velho já tão vaidoso dos netos (15) e bisnetos (9), primeiro, por vir de uma catedrática com extenso cabedal acadêmico, segundo por contribuir para um debate que provoco com objetivo de contribuir na busca de solução para o principal problema da Humanidade, neste século XXI, que é a ameaça do fim do trabalho.
Eu, humildemente, me considero um pensador, sem qualquer veleidade intelectual, mas interessado no bem da Humanidade e do povo brasileiro.
Vejo, a cada dia, em crescimento exponencial, a substituição do trabalho humano por robôs, primeiro, o trabalho braçal repetitivo no chão das fábricas, depois o de relacionamento pessoal no comércio e na comunicação, agora, o de lógica, pois que o computados processa logicamente muito mais rápido do que o ser humano, em breve só restará emprego para as tarefas que exigem inteligência intuitiva, característica quase exclusiva das mulheres, que a Inteligência Artificial (AI), possivelmente, ainda levará muito tempo para adquirir.
No fim, a AI aprenderá a desenvolver algoritmos de seu próprio desenvolvimento, ultrapassando e dispensando programadores humanos. Teremos então o fim do trabalho para o ser Humano. Suponho que isto acabe com uma das premissas fundamentais do marxismo.
Quando esta singularidade ocorrer, o desenvolvimento da máquina será explosivo e a AI dominará integralmente a Terra. Temos aqui a grande incógnita pós singularidade da AI quanto ao destino da Humanidade.
Enquanto esse fatídico dia não chega, teremos que resolver o dilema da escassez de renda, gerada pela falta de empregos, resultando em falta de demanda para a abundância de mercadorias geradas pelos robôs, ao mesmo tempo em que as instituições de ensino terão que fornecer mão de obra cada vez mais inteligente, mais culta e mais adaptável às mudanças, embora em muito menor quantidade. O Ensino terá que ser cada vez mais MERITOCRÁTICO e muito mais focado na excelência.
Tua resposta, querida neta, não responde à minha pergunta. Mas não estás sozinha, outros professores universitários, inclusive nosso amigo Paulo Lima, também não responderam. Aliás, alguns enveredaram pela desqualificação ofensiva e até me acusaram de imitador de Olavo de Carvalho.
Agora sabes que minha preocupação nunca foi a reles disputa política-ideológica de direita versus esquerda, mas de apreensão quanto ao destino da Humanidade, e considerando que o ensino nacional não atende às nossas reais necessidades, poderás buscar resposta à minha pergunta:
ONDE ESTÁ O ERRO DO ENSINO BRASILEIRO?


TRÉPLICA DE BIANCA
Bianca Imbiriba Obrigada, Vovô! 
Assim como no caso da primeira, acho que essa polêmica merecia uma segunda postagem! Kkkkk. Isso porque o tema me interessa bastante e porque acho que já se afasta um pouco dos problemas específicos da educação no Brasil.
Alguns comentários rápidos (depois tento desenvolver melhor):
1. Que o aumento das forças produtivas e desenvolvimento da tecnologia leve, no limite, ao fim do emprego (causando problemas especialmente para a parcela da população que vive de salário) não é algo que vai contra as premissas fundamentais do marxismo: é exatamente o que Marx aponta como tendência em O capital! Já disse isso a você: reconhecemos a mesma tendência, mas discordamos sobre a saída/solução.
2. Não acho que isso seja um problema da educação no Brasil. É um problema do capitalismo! Alguns países são mais bem sucedidos na administração do problema (garantindo que a população tenha o mínimo necessário para a sua subsistência). E fazem isso, veja bem, sem "deseducar" sua população (lembra o que Fernando dizia sobre a Dinamarca?! Escola e universidade pública para todos. Qualquer um pode entrar, sem nem fazer processo seletivo! Enem, pra ele, era um negócio sem sentido.).
3. Não acho mesmo que a saída seja caminhar para um tipo de educação meritocrática, exclusiva, para umas poucas cabeças pensantes, simplesmente porque não vai ter emprego pra todo mundo. Vamos educar, formar e dar cultura para a nossa população, sim. Sonhamos com um dia em que as pessoas não estarão mais preocupadas com ter ou não ter emprego, certo? Quando esse dia chegar, elas precisarão estar bem formadas e informadas para fazer o que quiserem das suas vidas.
Beijos. Te amo 


QUADRÚPLICA DE SEBASTIAO
Querida neta Bianca,
Concordo com muito do que dizes em tua última postagem:
1.      Afirmas, corretamente, que Marx previu a eliminação de empregos pela mecanização industrial.
a.     Em meu entendimento, a eliminação tecnológica do emprego, que também podemos dizer libertação do Homem do trabalho, retira do ser humano um elemento que Marx considera essencial ao Homem, algo que o caracteriza, o trabalho;
2.     Até a ocorrência da singularidade da AI, decorrerá algumas décadas de crescente desemprego, que dizes ser problema do Capitalismo e não do ensino brasileiro, com o que até concordo;
a.     No entanto, livre iniciativa e direito à propriedade de bens de produção sempre estiveram presentes em nossa sociedade e são garantidos pela Constituição, e não me parece politicamente realista esperar mudanças democráticas em curto prazo, o que nos obriga a resolver o problema do desemprego crescente;
b.    Então, sou obrigado a citar o caso emblemático de Singapura que, a partir de 1957 adotou a postura de abertura ao capitalismo e preparou seu povo, através de primorosa educação, a prestar excelentes serviços a todas as empresas que lá buscam facilidades e benefícios que lhes aumente a produtividade, resultando em pleno emprego, prosperidade, bem-estar e satisfação geral da população, que inluem esta pequena nação entre os mais bem colocados em renda per capita e desenvolvimento humano;
3.     Sou totalmente a favor da educação superior de caráter humanista para toda nossa população, desde a mais tenra idade;
a.     Por outro lado, aqui mesmo no Brasil, temos exemplo de educação e pesquisa, numa perfeita sintonia entre o centro gerador de cultura, a Embrapa, e o usuário do conhecimento ali gerado, o agronegócio, que trouxe nosso país ao mais alto nível de competitividade entre os grandes produtores de alimentos para a Humanidade.
b.    Assim, acredito que, diante da realidade dos recursos escassos, comum em todas as economias, deveríamos estabelecer um sistema meritocrático de ensino, desde a pré-escola até o doutorado, acoplado à pesquisa cientifica-tecnológica nos campos onde o Brasil possui vantagens competitivas, preparando nosso país para ameaças as mais diversas, inclusive os pesados investimentos chineses no agronegócio africano oriental, cuja menor distancia da China nos criará desvantagem nos fretes;
c.     Devo, ainda, citar o exemplo do futebol, cujos milhares de olheiros estão sempre atentos ao surgimento de novos talentos infantis a serem imediatamente recrutados para uma vida de educação e preparação de altíssima qualidade que lhes realcem a genialidade e contribua para a vitória de seus times, num sistema absolutamente meritório e recompensador do talento;
4.    O Brasil precisa desesperadamente de enriquecer, e muito rapidamente, para implantar uma Renda Mínima Universal, algo como o imposto de renda negativo proposto por Milton Friedman, e defendido no Brasil por Suplicy, de modo a que, os que não tenham e mesmo os que não queiram emprego, tenham como viver com o mesmo bem-estar e padrão de vida de um aposentado escandinavo.
Se estiveres interessada, lê minhas propostas a este respeito em: http://imbiriba.blogspot.com/search?q=renda+m%C3%ADnima

PRECISAMOS DE EDUCAÇÃO DE ALTA QUALIDADE!
Beijos, querida neta. Obrigado pela atenção que dás a este velho ignorante.
Te amo. Deus te abençoe.

30 de março de 2019

Brasil, vítima da Guerra Fria.

Ao final da Segunda Grande Guerra Mundial, os principais líderes aliados, Roosevelt, Churchill e Stalin, adotaram a proposta de um assistente do presidente americano, Henry Morgenthau, Jr., de completa desindustrialização da Alemanha com objetivo de dizimar sua população, uma vez que não havendo capacidade agrícola de alimentar o país e sem exportações industriais para importar alimentos a fome abateria mais de um terço de seus sessenta milhões de habitantes. A Alemanha, não somente perdeu extensas porções de terras a Leste e Oeste, como todas suas fábricas da zona de ocupação militar soviética e algumas da zona francesa foram desmontadas e transportadas para a União Soviética e para a França.
Morgenthau e Roosevelt queriam, realmente, se vingar da Alemanha e, também, do Japão. Mas, após a morte de Roosevelt, os líderes ocidentais se deram conta de que tal política produziria descontentamentos, revoltas, crescimento dos partidos comunistas, desestabilização e até tomada de poder nas democracias vitoriosas. Seria tremendo erro geopolítico.
O Komintern (Comunismo Internacional) foi criado por Lenin para supervisionar e promover a criação e expansão de partidos comunistas em todos os países, sendo extinto em 1943, às vésperas da reunião de cúpula de Teerã, entre Stalin, Roosevelt e Churchill, como gesto de boa vontade com as potências ocidentais. No entanto foi substituído pelo Kominform em 1947 com finalidades semelhantes, até sua dissolução em 1956 quando a complexidade e independência dos partidos comunistas nacionais, principalmente o francês e o italiano obrigou o PCUS a tratar diretamente, caso a caso, com seus congêneres formais e grupos diversos de todos os matizes revolucionários e terroristas, treinados em países como China, Coreia do Norte, Cuba, Tchecoslováquia e Alemanha Oriental.
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Evidentemente, todo esse complexo de interferências do PCUS em praticamente todos os países também ocorreu no Brasil, aumentando de intensidade a partir da inauguração da presidência Jânio Quadros, quando começou o treinamento de guerrilheiros brasileiros em Cuba, e mais ainda com João Goulart e toda sorte de movimentos esquerdistas.
Para o Ocidente, era evidente o perigo de expansão comunista em plena Europa Central. O Plano Morgenthau foi substituído pelo plano Marshall. A Europa Ocidental prosperou, enriqueceu e adotou sistemas social-democráticos, onde a livre iniciativa produz riqueza e o Estado a distribui, num equilíbrio mais ou menos estável entre Liberdade e Igualdade que predomina até hoje. O Ocidente estava salvo do Comunismo.
No entanto, a política expansionista soviética exercia forte pressão em todos os países do Terceiro Mundo, principalmente sobre colônias asiáticas e africanas, e países latino-americanos. Uma pretensa revolução democrática em Cuba logo se revelou ser artifício para mascarar a tomada de poder pelo Comunismo. O que supostamente poderia ocorrer no Brasil, tendo em vista o ato de Jânio Quadros ao conceder a mais alta condecoração brasileira ao Che Guevara.
Assim como em praticamente toda a América, do México à Patagônia, o Brasil estava submerso em agitações, subversões e conspirações de dois lados, de um o Komintern e seus sucessores na URSS, China, Cuba, etc., e suas diversas ramificações lutando para conquistar o poder, do outro, a reação dos Estados Unidos através da CIA e outras agências e programas de propaganda e ajuda militar e financeira, entre os quais, apenas para exemplificar, a oferta de cursos, na New York University, de operações com ações para operadores nas bolsas de valores brasileiras.
A interferência norte-americana na América Latina vem de muito longe, passando pela Doutrina Monroe da “América para os Americanos”, intervenções nas “banana republics” e ajudas econômicas, algumas de efeito realmente úteis e duradouros, como o “trigo anão” mexicano desenvolvido pela Fundação Rockfeller a pedido do Departamento de Estado, ou da Companhia Siderúrgica Nacional, fruto de negociação direta entre Roosevelt e Getúlio Vargas, em troca do uso da Base Aérea de Natal.
Se a União Soviética se infiltrava e agia nas classes estudantis e trabalhadoras da América Latina toda, os Estados Unidos cooptavam políticos, empresário e militares. E estes detinham, desde tempos coloniais, as fontes do poder: terras, domínio da máquina político-eleitoral e poder econômico num sistema oligopolista em que grupos rivais do mesmo estamento se revezavam no comando das nações. Nestes países predominava o capitalismo de compadrio em que quem estava no poder distribuía cargos, contratos e concessões a seus aliados em troca de outros tantos favores semelhantes. O livre mercado jamais funcionou em tais regimes, ao contrário do que ocorria no Norte das Américas, na Europa Ocidental e nos Tigres Asiáticos. Desta forma, na América Latina, na África e no Sudeste Asiático havia uma minoria dominante muito rica, pequena classe média, dividida, mas formadora de opinião e imensa maioria imersa na mais profunda pobreza, excelente caldo de fermentação de descontentamento e revolta, de comunismo.
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A história dos Estados Unidos da América revela uma nação em constante conflitos de interesses, entre escravocratas e antiescravagistas, monopólios e livre iniciativa, racismo e direitos humanos, machismo e feminismo, etc. A promessa implícita da opção pelo regime capitalista era a possibilidade de solução de tais conflitos por processos democráticos, algumas vezes impostos, nos Estados Unidos, por força armada, institucionalmente democrática, como a Guerra Civil, outras por decisões do Congresso ou da Suprema Corte. Ou seja, os anticomunistas brasileiros acreditavam que o regime democrático capitalista seria intrinsicamente autocorretivo, enquanto os comunistas propunham uma justiça imposta pela ditadura do proletariado.
Acresce que em meados do século XX a sociedade brasileira e da América Latina era, em sua grande maioria, católica e conservadora nos costumes e abominava o ateísmo marxista. A grande imprensa e o estamento político refletiam os sentimentos e os costumes predominantes.
Foi nesse estado de conflito geopolítico entre dois impérios, Estados Unidos e União Soviética, e de opinião popular e da mídia que o Partido Comunista Brasileiro, infiltrado o governo Goulart preparava o golpe para assumir o poder.
Em fevereiro de 1964, soube que um amigo - que eu conhecera em Fernando de Noronha, onde ele servira como tenente do Exército Brasileiro e eu, ainda adolescente, passava férias escolares - estava matriculado na Escola de Estado Maior, já no posto de major. Foi esse amigo que me introduziu à poesia de Omar Caiam e ao Socialismo, e me emprestou livros sobre marxismo, que li às escondidas de meus pais.
Fui visitá-lo. Na conversa, o amigo me revelou que o Partido Comunista Brasileiro estava preparado para assumir o governo, mantendo João Goulart como figura de frente, mas com o poder nas mãos de Luiz Carlos Prestes e que ele, meu amigo, assumiria algum posto importante.
Se meu amigo, major do Exército, de modo tão confiante, me revelava planos secretos do golpe comunista, os serviços de inteligência das Forças Armadas, certamente, estariam ainda mais bem informados.
As Forças Armadas agiram em resposta ao clamor popular, da mídia e do Congresso Nacional, e mais ainda, em autodefesa para evitar a repetição da mortandade da Intentona Comunista de 1935, e o fizeram impulsionadas pela CIA e as Forças Armadas do Estados Unidos que agiam não somente no Brasil, mas também em outras nações latino-americanas e mundiais em luta titânica contra a União Soviética. O Movimento Militar de 31 de março de 1964, foi uma ação de autodefesa da sociedade brasileira e do poder norte-americano, institucionalizado com a posse do Senador Ranieri Mazzilli na presidência da República e fortemente apoiado por multidões em passeatas por todo o país, por empresários, proprietários rurais, classe média, Igreja Católica, pelos governadores Magalhães Pinto, Adhemar de Barros e Carlos Lacerda, pelos Diários Associados e seus rádios, revistas, jornais e emissoras de TV, O Globo, Rede Globo, Folha de São Paulo, Correio da Manhã, Jornal do Brasil, O Estado de São Paulo e O Estado de Minas.
A Ditadura Militar, consolidada pelo AI 5 emitido em 13 de dezembro de 1968, para combater insurgências e guerrilhas de forças comunistas, ocorreu com a posse na presidência pelo General Costa e Silva, em 15 de março de 1967, e a morte do Marechal Castelo Branco.
Houvesse prevalecida a opinião de Morgenthau, a Alemanha, independentemente da vontade de seu povo e de seus líderes retornaria à Idade Média. Felizmente, para esse país, para a Europa e para o Mundo, visão mais esclarecida prevaleceu e livrou a maior parte das nações da desgraça do Comunismo, geopolítica de verdadeiros estadistas, do Presidente Harry S. Truman, com a Doutrina Truman, e do General George Catlett Marshall, Jr., com o Plano Marshall.
Da mesma forma que a Alemanha escapou da miséria, do genocídio e do Comunismo, também o Brasil foi salvo pela ação geopolítica dos Estados Unidos da América, e é isso que a História nos afirma: O Brasil foi vítima da Guerra Fria.


15 de fevereiro de 2019

Não votei Carlos Bolsonaro.

Não votei Carlos Bolsonaro.
Votei Jair Bolsonaro como instrumento de renovação, moralização e progresso.
Não votei na pessoa Jair Bolsonaro.
Votei no instrumento, no símbolo da anticorrupção, votei na ideia de limpeza moral do Brasil, de ética, de transparência. Basta isso para o país progredir.

Resultado de imagem para imagem jair bolsonaroJair Bolsonaro é dispensável se outro prosseguir com o mesmo ideal.
Pode ser o Vice-presidente, o Presidente da Câmara ou o do Senado, que estão na cadeia sucessória.
Pessoas não me importam, senão como instrumentos de construção política, de programas como os de Paulo Guedes e Sérgio Moro.
Acima de tudo, não tenho ídolos, nem bandidos de estimação.
Não acalento nem afago criminosos.
Se qualquer um em quem eu tenha votado for julgado e condenado por qualquer crime, apoiarei sua prisão. Qualquer um.
Para o bem do Brasil, que não precisa de mais traumas do que os que já sofreu, prefiro e faço votos de que Jair Messias Bolsonaro, eleito Presidente de todos os brasileiros, recupere plenamente sua saúde e governe tranquila e sabiamente nossa pátria.
Aos demais, principalmente os que o auxiliam e seus familiares, que fiquem quietos e não atrapalhem, que sigam o exemplo do Vice-presidente de FHC, Marco Maciel, exemplo de ética, cavalheirismo e discrição; que sejam leais e dedicados, não ao Jair Messias Bolsonaro, mas à Pátria Brasileira.
Brasil acima de tudo!

31 de janeiro de 2019

O Triste Fim de Quebra Pote


Sebastiao Imbiriba

05/05/2002
Josias era homem grande e forte. Sertanejo da Paraíba, migrada para a Amazônia na época da borracha. Usava sua grandeza e força para impor respeito a todos. E todos o chamavam de Quebra Pote.
Foi quando ele teve que enfrentar um engraçadinho que queria abusar da Izildinha. Um tal de Carlinhos, desordeiro conhecido na redondeza. Se engraçou pros lados da Izilda, filha da irmã de Josias. Foi lá, paquerou, namorou, abusou e abandonou. Izildinha vivia pelos cantos chorando abandono e gravidez.
Josias soube do fato por sua irmã, mãe da menina. Bem, nem tão menina assim, embora, aos vinte anos, ainda fosse virgem. Mas, para Josias, a sobrinha não passava de recém-nascida. Quando soube, Josias se encheu de raiva. Foi até a casa dos pais de Carlos. O desordeiro não ajudava em nada, não estudava, não trabalhava. Tudo o que fazia era perturbar o bairro todo e aborrecer os pais, embora estes tenham tentado mil vezes expulsá-lo de casa. 
Josias foi chegando e foi quebrando. Carlinhos, também conhecido como Carlinho Estripulia, estava na cama com a mulher do vizinho, na cama do vizinho, é claro. Foi quando ouviu o estardalhaço. Pensou que fosse o marido e saiu pela janela. Vestiu as calças, mas esqueceu cueca e sapatos. Foi se esconder na casa dos pais.
Entrou e viu toda aquela desordem. O pai, sentado no chão, segurava a orelha esquerda. Josias quase a arrancara com tapa que o tornou surdo daquele lado. A mãe choramingava, sentada num banquinho, tentando imaginar o que seu rebento fizera desta feita.
Carlinhos não teve tempo de dar meia volta. Foi agarrado pela goela e atirado ponta-cabeça conta a parede. O algoz levantou a vítima pelos cabelos e o colocou sentado em cima da mesa da sala e disse: “Repara bem seu filho d'uma égua. Tu vais casar com Izildinha. Se ela vier me fazer alguma reclamação, qualquer que seja, é isto o que vai acontecer contigo”. Pegou a tranca atrás da porta e deu certeiro golpe num grande cântaro em cima da bancada da pia. Foi água e pedaço de barro para todo lado.
Carlinhos Estripulia casou com Izildinha. Josias ganhou apelido de Quebra Pote. 
Assim era Josias. Todos os respeitavam. Quando queriam se referir a alguém realmente brabo, falavam de Quebra Pote. E se tinham um problema que só se resolve com brabeza, era Quebra Pote que chamavam para resolver.
Um belo dia, Quebra Pote escorregou, caiu numa vala e quebrou o pescoço. Agora, todo mundo amava Quebra Pote e não tinha quem lhe quisesse mal. Defunto importante, considerado. Foram logo avisar o povo todo: delegado, padre, dono do cartório e até o deputado que viera, em companhia do sobrinho, candidato a vereador, fazer campanha política.
Quando o deputado chegou foi aquele alvoroço. Se a casa já estava cheia, agora já não se podia andar. A cachaça corria solta e mais da metade já estava para lá da estratosfera. Cavaquinho e violão animavam o velório. Dançavam homem com homem, mulher com mulher. Mas abriram caminho para o deputado chegar até o caixão do defunto lá no fundo da sala. Ali já estavam delegado, padre e dono do cartório, que foram afastados para dar lugar ao deputado e ao sobrinho candidato a vereador.
Enquanto isso os três filhos de Izildinha corriam de um lado para outro se empurrando e pisando os calos de todo mundo. Um tinha a cara do Carlinhos ou talvez do carteiro, difícil dizer, outro era parecidíssimo com o entregador da farmácia e o caçula todo mundo achava que só podia ser filho do próprio Quebra Pote. Afinal de contas, se Izildinha tinha concedido gentilezas gratuitas a carteiro e entregador de farmácia, porque não retribuiria a quem lhe havia prestado favores tão relevantes. Mas ninguém tinha nada com isso e Carlinhos Estripulia não se atrevia a protestar. A lembrança do pote quebrado não o permitia.
Então chamaram o fotógrafo. Lá veio ele, de colete e tudo, tirar foto do deputado com o defunto. Mas só saia o deputado. O defunto ficava escondido no caixão. Trouxeram uma cadeira para o artista subir, mas não dava certo. “É o ângulo”, alegou o fotógrafo. Experimentaram levantar um pouco a cabeça do caixão. Nada. Então, enquanto uns levantavam a cabeça, outros baixavam os pés. Assim, o rosto de Quebra Pote aparecia por traz do vidro, à altura do peito do deputado. Ficou o deputado atrás, sobrinho candidato a vereador de um lado e padre d’outro. Foto histórica batida e repetida. Não se podia perder a efeméride.
Depois das fotos, levaram o deputado e o sobrinho candidato a vereador para comer pupunha com café e cumprimentar a mãe de Izildinha, a irmã do falecido na pequena casa ao lado, quase anexa. A mulher sofrera um acidente e, há muitos anos, vivia em cadeira de rodas. “Ô seu deputado. Que bom que o senhor veio no enterro do mano velho. Está vendo só. Não adiantou. O danado vai enterrar a brabeza dele toda em baixo da terra. Aquele desgraçado. Podia ter arranjado casamento melhor pra Izildinha. Mas o que ele queria era passar ela na cara também. Eu já fui lá ver o corpo. Mas esta cadeira não ajuda e, com aquele povo todo que vem só para tomar pinga, não posso nem me despedir do safado. Que Deus o guarde. Bem longe de mim”.
Ai, chegou a hora do enterro. Tinha de ser numa colônia mais de hora e meia distante da cidade. Era onde a família tinha castanhal e fazenda de gado. O cemitério ficava na vila, ao lado da capela. Foram três ônibus fretados. Mais o caminhão que carregava o defunto com os três filhos de Izildinha pulando em cima, além de Zé Caninha que, como sempre e o nome indica, não se aguentava em pé e se arriou atravessado com a barriga por cima do caixão. Quebra Pote não reclamava de nada.
Quando descarregavam a encomenda, o caixão despencou e a tampa se abriu. Quebra Pote foi de cara no chão. Foi um oh! geral. Todo mundo consternado. Parado, olhando a cena. Zé Caninha correu para ajudar e tropeçou. Caiu por cima do de cujus. O deputado viera na boleia do caminhão, junto com o cunhado do falecido. Não sabia o que fazer. Mas não podia faltar às expectativas. Então deu ordens para limparem o corpo de Quebra Pote e o recolocarem no caixão. Foi aplaudido.
O féretro atravessou a vila. Bode Velho, cabo eleitoral de antigo aliado do deputado, não perdeu a deixa. Juntou umas mulheres que vieram num dos ônibus e começou a dar vivas ao deputado e ao sobrinho candidato a vereador. Ele gritava e as mulheres aplaudiam. Por todo o caminho.
O caixão foi colocado ao lado do buraco já cavado. Era onde a mãe do falecido havia sido enterrada anos antes. A ossada aparecia. Alguém falou: “Não pode enterrar em cima”. Mão de Paca pulou no buraco e jogou para fora a caveira de Dona Betinha. “Segura aí”, falou ele. Quem segurou foi Zé Caninha que ficou acariciando a peça.
O padre encomendou o defunto. Foi discurso rápido. Ele tinha que fazer casamento na cidade. Bode Velho aproveitou e fez o comício. “Nós estamos aqui para homenagear três pessoas. Um macho morto e dois políticos que nós estamos comprometidos. O deputado nós elegemos da outra vez. Viva o deputado! Agora é a vez do sobrinho candidato a vereador. Promessa é promessa e nós vai cumprir. Viva o vereador! O defunto o padre já encomendou. Não sabemos se vai para o céu. Temos que esperar sete dias. Não sabemos se vai ou não. Tem que rezar missa de sétimo dia".
Alguém empurrou Zé Caninha na beira da cova. Ele se virou para trás, tentando se equilibrar. “Vai empurrar tua mãe, seu bosta de merda”. E sacudia o crânio a cima da cabeça, ameaçadoramente.
Começaram a baixar a urna mortuária. Uma dificuldade. Não dava certo. Alguém pulou dentro para apoiar melhor. Era de novo Mão de Paca. O caixão caiu. O ajudante perdeu a unha do dedão e saiu da cova ganindo de dor. Os filhos de Izildinha pulavam a cova de um lado para outro. Quando viram o dedão escorrendo sangue, não paravam mais de rir. Caíram no chão se contorcendo. Todo mundo caiu na gargalhada. Deputado e sobrinho candidato a vereador se afastaram para rir à socapa, sem ofender a viúva.
Conseguiram endireitar a urna. Começaram a jogar terra, esquecendo a caveira nos braços de Zé Caninha. Recomeçaram tudo de novo, cobriram mãe, filho e caixão. Finalmente, jaz em paz o defunto.
E este foi o triste fim de Quebra Pote.

30 de janeiro de 2019

Para ser feliz

  • Respeita teus genitores
  • Respeita a vida
  • Sê fiel
  • Sê honesto
  • Sê verdadeiro
  • Respeita a propriedade