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20 de março de 2020

Corona vírus versus economia nacional


Ao apresentar novas medidas econômicas para mitigar os problemas causados pela pandemia do Covid-19 o Ministro Paulo Guedes elogiou o Bolsa Família e diz que Lula mereceu ganhar várias eleições.
Milton Friedman, expoente do Liberalismo na Universidade de Chicago, é o pai da proposta do imposto de renda negativo, dinheiro pago pelo governo a quem tenha renda abaixo de determinado nível, de modo a equalizar e distribuir renda, eliminando pobreza e dinamizando a economia.
Hoje, essa ideia é promovida por diversos pensadores e eu defino como Renda Mínima Universal - RMU, benefício pago incondicionalmente a todos os cidadãos, substituindo todas as atuais formas de distribuição de renda, como BPC, Bolsa Família, Aposentadoria, Auxílio Desemprego, etc., e eliminando legislação salarial e outros entraves às relações de trabalho. Uma vez que a RMU o livra da pobreza, o cidadão não precisaria trabalhar e só aceitaria emprego que lhe proporcionasse compensação emocional e moral além da econômica, o que resolveria o problema do desemprego sistêmico provocado pela automação e inteligência artificial.
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Paulo Guedes raciocina dentro desta linha de pensamento econômico, reabastecendo financeiramente a base da pirâmide social para dinamizar a economia, estagnada há tanto tempo por erros macroeconômicos de administrações anteriores. Para facilitar o trânsito de suas propostas o Ministro justifica politicamente sua atitude citando o exemplo dado por Lula ao transformar as diversas bolsas introduzidas por FHC na Bolsa Família. É indiferente se o gato é malhado ou preto, o que importa é que nos livre dos ratos, no caso, fazer a economia retomar o crescimento.

Tais medidas são emergenciais e compensam minimamente a perda de renda de determinados segmentos do setor de serviços mais dispensáveis, como o de cabelereiro comparado ao de saúde. São válidos por  curtíssimo período por esgotarem rapidamente as reservas financeiras do Estado que, por sua vez, sofre enorme queda na arrecadação de tributos.
Por outro lado, os protocolos de quarentena devem preservar a produção e circulação de mercadorias para evitar desabastecimento e impedir o colapso total da economia e, por consequência, desorganização social.
Enfrentamos problema de solução extremamente complexa e multifacetada que requer esforço concentrado de todas as facções em busca de salvação nacional.

3 de janeiro de 2020

Inteligência Artificial x Brasil 2030


Planejamento Estratégico Brasil 2030 - Inteligência artificial, desemprego, salário, renda mínima, desenvolvimento, poder, qualidade de vida.
1.  O Estado brasileiro, em seus diversos poderes e níveis,  criará um grupo de trabalho de reconhecida experiência e competência nos campos da política, da defesa nacional, da economia e outros para:
a.   Considerando os efeitos da automação em todos os campos de atividade, que já se fazem sentir há algumas décadas e se aceleram progressivamente, com consequentes:
                                i.    Libertação da Humanidade da escravidão do trabalho;
                               ii.    Empobrecimento da Humanidade pela falta da renda do emprego;
                             iii.    Fabricação de produtos sempre melhores, mais baratos e mais úteis sem compradores por falta da renda dos empregos eliminados;
                             iv.    Concentração de renda e propriedade de bens de produção em mãos de apenas alguns proprietários e rentistas, e as importantes modificações na Economia de Livre Mercado pelos monopólios derivados do próprio sucesso de produtos e serviços inovadores (exemplos: Google, Facebook);
b.  Considerando que a inteligência artificial evolui para a autonomia pela autoprogramação, que pode culminar na singularidade da inteligência artificial, cujos eventos, totalmente imprevisíveis, podem representar séria ameaça para a Humanidade;
c.   Considerando as imensas riquezas naturais brasileiras ainda inexploradas, que podem tornar esta nação extremamente próspera;
d.  Considerando as atuais vantagens competitivas do Brasil perante o Mundo, as quais mantêm superavitária nossa balança de comércio exterior;
e.   Considerando as aspirações dos diversos segmentos da população brasileira  ponderadas com ideais de desenvolvimento do Brasil como nação e como potência, estabelecer metas estratégicas nacionais a serem atingidas até 2030, com objetivo de:
                                i.    Aumentar a riqueza nacional, colocando o Brasil entre as cinco nações de maior PIB;
                               ii.    Distribuir tal riqueza de modo a melhorar a colocação do Brasil entre as vinte primeiras nações de melhores Índices de Gini e qualidade de vida;
                             iii.    Colocar o Brasil em posição de influência nos fóruns de decisões político-econômicas mundiais;
                             iv.    Colocar o Brasil em posição de autoridade moral perante potências atômicas;
f.    Este grupo de trabalho apresentará a conclusão de seus trabalhos, no dia 1º de março de 2021, ao Presidente da República e ao Congresso Nacional, os quais a incluirão na LDO para 2022 e apreciarão as emendas constitucionais e leis sugeridas;
g.   Os itens a seguir são meras sugestões do muito que há por estudar:
2.  Política – considerando a necessidade de melhor governabilidade:
a.   O mandato de Presidente da República será de seis anos, proibida a reeleição;
                                i.    O Presidente da República é proibido de interferir politicamente no Congresso Nacional;
                               ii.    Projetos de lei e vetos do Presidente da República recusados pelo Congresso serão submetidos a referendo popular;
                             iii.    Emendas constitucionais serão votadas duas vezes pelo Congresso e submetidas a referendo popular;
                             iv.    Emendas constitucionais de cláusulas pétreas serão votadas duas vezes pelo Congresso com intervalo de dois anos e submetidas a referendo popular;
b.  O mandato de governadores e prefeitos será de quatro anos, permitida uma reeleição;
c.   O mandato dos três senadores por unidade federativa será de seis anos, sendo eleito um a cada dois anos;
d.  O mandato dos deputados federais e das unidades federativas, e de vereadores será de quatro anos;
                                i.    Metade destes representantes do povo será eleita por voto distrital em pleito coincidente com a eleição dos governadores;
                               ii.    A segunda  metade será eleita por voto proporcional, dois anos após, junto com a eleição de prefeitos;
                             iii.    O voto tanto distrital quanto proporcional buscará nivelar a relação do número de representantes por eleitor em todo o território nacional;
                             iv.    Estados e municípios de grande extensão territorial poderão ser divididos;
                               v.    Municípios de pequena população e arrecadação inferior ao custeio de suas administrações serão incorporados aos vizinhos;
3.  Educação, Ciência e Tecnologia:
a.   O analfabetismo estará completamente extinto;
b.  Apoio e incentivo ao papel da família na educação das crianças;
                                i.    Programas de treinamento das famílias na educação dos filhos;
c.   Ênfase ao ensino dos 0 a 6 anos;
d.  Rigorosa avaliação de mérito e desempenho no ensino em todos os níveis;
e.   Intensa preparação para o emprego no segundo grau com vistas a diminuir os efeitos da inteligência artificial na eliminação de empregos;
f.    Ingresso na universidade por rigorosa avaliação de mérito curricular desde a pré-escola;
g.   Ênfase do ensino superior na:
                                i.    Formação de professores altamente qualificados em todos os níveis;
                               ii.    Formação de profissionais com vistas a:
1.  Alavanque das vantagens competitivas do Brasil;
2.  Inserção do Brasil na economia global;
3.  Efeitos da inteligência artificial na eliminação de empregos de nível superior altamente qualificados;
h.  Formação e reestruturação de instituições de pesquisa e extensão nas áreas de maiores vantagens competitivas do Brasil e de enfrentamento às maiores ameaças aos produtos brasileiros, em íntima colaboração com os setores produtivos;
                                i.    Exemplos:
1.  EMBRAPA, ITA;
2.  Concorrência do agronegócio africano de capital chinês;
3.  Possíveis efeitos climáticos liberando à produção agrícola grandes extensões no Norte do Canadá e da Sibéria;
4.  Efeitos climáticos prejudicando a agropecuária nacional;
i.    A educação pública será gratuita em todos os níveis, mas as instituições públicas buscarão financiamento adicional ao público junto a instituições privadas em acordos de pesquisa e desenvolvimento de produtos e processos ou de meras doações a fundos de investimento geradores de renda para manutenção das respectivas instituições;
4.  Economia:
a.   Formação de empresas público-privadas com capital controlador privado nacional destinadas a execução de estratégias nacionais em setores específicos, para:
                                i.    Exploração de recursos naturais amazônicos com participação acionária das tribos afetadas, sendo o capital destas constituído pelo valor estimado dos recursos a serem explorados;
                               ii.    Exploração de tecnologias inovadoras oriundas dos centros de pesquisa brasileiros, com participação acionária destes;
                             iii.    Exploração de tecnologias inovadoras oriundas do exterior, com participação acionária externa;
                             iv.    Tais empresas serão público-privadas para vencer resistências ideológicas, cabendo ao Estado a proteção dos acionistas minoritários e aderência das empresas aos objetivos estratégicos nacionais, inclusive ambientais;
b.  Atração de capitais para intensa expansão da infraestrutura de saneamento, transporte multimodal, armazenamento, eletricidade e internet;
c.   Drástica redução da dívida pública e/ou dos seus juros para permitir redução da carga tributária e melhoria dos serviços públicos;
d.  Drástica redução da complexidade legal, burocrática e tributária;
                                i.    Instituição no Congresso Nacional, Assembleias Estaduais e Câmaras de Vereadores de comissões permanentes de consolidação e simplificação  legal, eliminação de leis ineficazes, busca de eficácia orçamentária e dos serviços públicos;
e.   Completa digitalização e dinamização do Instituto Nacional da Propriedade Industrial;
5.  Bem estar social:
a.   Será instituída a Renda Mínima Universal Incondicional paga a todos os habitantes do Brasil, sem qualquer restrição, a partir da concepção, por intermédio da gestante que receberá dupla RMUI até a maioridade do filho;
                                i.    A RMUI objetiva mitigar o impacto da inteligência artificial na redução da oferta de empregos e manter o poder de compra da população, devendo ser do maior valor que a capacidade orçamentária permita;
1.  As unidades federativas poderão complementar a RMUI de seus cidadãos conforme as respectivas capacidades orçamentárias;
                               ii.    A RMUI substituirá todas as atuais formas de benefício monetário tais como, bolsa-família, prestação continuada, desemprego, aposentadoria, FGTS e outros afins;
                             iii.    A RMUI será financiada por tributo específico, possivelmente sobre o faturamento bruto das empresas;
                             iv.    Serão eliminados todos os tributos, taxas e encargos sobre salários;
                               v.    A RMUI será a mais simples, desburocratizada e sem controles que seja possível;
                             vi.    Serão adotados programas inibidores de explosão demográfica incentivada pela RMUI;
                           vii.    Cessarão as contribuições para FGTS de novos empregados; os empregados atuais receberão este benefício ao cessar o vínculo empregatício;
                         viii.    Cessarão as contribuições previdenciárias e os atuais contribuintes serão aposentados correspondentemente ao que tiverem contribuído até a mudança do regime;
                             ix.    A aposentadoria vigente será reduzida no valor da RMUI;
b.  As favelas serão substituídas por conjuntos de grandes prédios constituindo núcleos com cerca de cem mil moradores;
                                i.    Tais conjuntos serão interligados por trens expressos a hubs metropolitanos de tal forma que o traslado entre conjuntos e hubs seja inferior a 30 minutos;
1.  Devido ao crescente desemprego provocado pela inteligência artificial, o tráfico deverá ser decrescente até estabilizar;
                               ii.    Os conjuntos serão servidos por centros de utilidades educacionais, médicas, culturais, desportivas e comerciais, e por parques e bosques;
c.   A miséria e a pobreza serão completamente extintas pela RMUI e outros meios assistenciais;
d.   Será obrigatório o uso de serviços de tratamento e recuperação que estejam disponíveis a drogados e moradores de rua;
e.   Os serviços de Clínica da Família e Unidades de Pronto Atendimento serão ampliados e melhorados liberando os hospitais para serviços de pronto-socorro e tratamentos de alta complexidade e tecnologia;
6.  Este rol de sugestões é ponto de partida para trabalho de maior fôlego e extensão.

7 de junho de 2019

Inteligência Artificial e a Humanidade no século XXI


A partir do início do século XXI a ciência da computação acelerou as pesquisas e alardeou inúmeras profecias sobre inteligência artificial e seus crescentes impactos na vida humana.
Hoje, no limiar da terceira década deste século, algumas daquelas profecias se tornaram realidade e muitas outras encontram-se em vias de acontecer.
No dia 22 de abril de 2019 Elon Musk, Presidente da Tesla, anunciou para 2020 um milhão de robotáxis, automóveis colocados a serviço do transporte automático (sem motorista) de passageiros, enquanto seus futuros proprietários exercem outras atividades, ameaçando serviços concorrentes como Uber e outros aplicativos. A partir de então milhões de motoristas perderão seus empregos.
O primeiro robô da delicadíssima  colheita de framboesa, apelidado de "Robocrop", foi desenvolvido pela Fieldwork Robotics, originalmente parte da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, e ameaça outros milhões de trabalhadores rurais neste e em outros cultivares.
O robô computadorizado, dotado de inteligência artificial passa a raciocinar com maior precisão e velocidade que o ser humano colocando em xeque a cognição humana, em todos os domínios, tornando-a inútil e dispensável.
Isto coloca a Humanidade em sério risco, diante de ameaças de extinção por completa inutilidade, uma vez que - atingida a capacidade de se auto programar, auto corrigir e auto reproduzir - o robô será totalmente autônomo do ser humano.
Não restará ao Homem qualquer papel relevante nem na produção de bens materiais, nem intelectuais. A Humanidade não servirá ao menos de alimentação das máquinas, como se fossemos aviários ou pocilgas, porque máquinas se alimentam de eletricidade e algum lubrificante.
Pergunta-se:
a) Poderão existir em paralelo duas sociedades, de um lado a comunidade das máquinas, auto regulada, produzindo para seus próprios benefícios e necessidades, e com as prioridades que ela mesma estabelecer; de outro a Humanidade que, gradativamente, ao longo da evolução da inteligência artificial, vai perdendo o protagonismo de sua própria existência?
b) Seguirá a evolução da inteligência artificial na direção do benefício da Humanidade, fazendo-a evoluir em melhoria da saúde, longevidade e bem-estar, ou no de sua destruição?
Podemos especular se a sociedade das máquinas - que poderíamos chamar Maquinidade (Machinety) ou Robonidade (Robotnity) - poderá ter sua economia centralizada, ou seja, não haverá mercado, porque o processamento de Big Data poderá considerar todos os fatores e planejar a operação de cada máquina em função de todas as demais.
Por consequência, não haverá necessidade de dinheiro, da mesma forma que cada robô será proprietário de si mesmo e a Maquinidade será totalmente transparente, uma vez que cada máquina poderá quebrar em curtíssimo tempo a criptografia das demais.
Caso a inteligência artificial evolua para o benefício da Humanidade, esta será uma sociedade saudável, longeva, sem política, sem governo, diletante, dedicada aos interesses individuais, mas totalmente regrada por leis e controle da inteligência Artificial, que saberá mais sobre cada indivíduo do que o próprio.
Enquanto o processo não atinge tal estágio, haverá muitos problemas a serem resolvidos como o da subsistência da Humanidade crescentemente sem emprego nem renda, tornando inúteis, por exemplo, esforços como o atual equacionamento da previdência social e do desenvolvimento econômico, porquanto o desemprego generalizado desmonetiza o mercado saturado de belas mercadorias sem compradores, o que exigirá a instituição, entre outras, de políticas de renda mínima universal.
Quanto mais rápido e objetivamente as nações do Mundo se ajustarem à inexorável evolução da inteligência artificial, minimizadas serão suas ameaças e menores os sacrifícios exigidos da Humanidade.

26 de maio de 2019

Debate sobre Renda Mínima


Baseado em: Renda Mínima Incondicional e Universal

Comentário de Bianca em 22/05/2019
Bianca Imbiriba Sebastiao Imbiriba, vovô querido, hoje li com muita atenção e carinho. Mas não concordo. Não acho que a renda mínima deva vir acompanhada pelo corte nos gastos com saúde, educação e previdência. Não acho que seja mais eficiente dar renda para todos e colocar esses serviços nas mãos da iniciativa privada. Por vários motivos:
Primeiro, não consegui fazer as contas ou achar no texto (falha minha!) uma indicação de quanto seria essa renda (per capita). Mas me parece pouco provável que seja o suficiente para cobrir os gastos com saúde, educação e previdência privadas. Vou lhe dar apenas um exemplo (o meu, para facilitar): aqui em casa gastamos $1800 em plano de saúde para a família (eu, Hugo e as crianças) e $1200 para a minha mãe (porque, felizmente, ainda posso cobrir esse gasto). Aproximadamente $2500 em educação em tempo parcial (6h, porque, por sorte, temos um regime de trabalho flexível que permite manter as crianças em casa meio período). Não vou nem dizer o que gasto em financiamento imobiliário, pra encurtar a conversa! Mas o fato é que não sobra nada (!!!) e a ideia do regime de capitalização privado (seja um empreendedor de si mesmo e aposte no seu futuro) é uma falácia! E não está acessível para 99% da população.
Segundo, porque não acho que entregar na mão da iniciativa privada vá reduzir substantivamente os custos, diminuir os preços e tornar esse "serviços" mais acessíveis (fazendo com todos possam pagar pelo acesso à saúde, educação e previdência). Vivemos em um regime de ampla concorrência (com muitas escolas privadas, universidades privadas, planos de saúde e fundos de capitalização) e ainda assim os preços não diminuem! E não diminuem porque, em se tratando de serviços tão essenciais, o capital funciona como um verdadeiro abutre. Se a sua sobrevivência depende disso (como é o caso dos hospitais particulares!) vamos nos aproveitar da sua fragilidade e arrancar o seu fígado.
Terceiro, porque acho que esse "serviços" não devem se orientar segundo a lógica do lucro (e do ganho imediato). Acho que devem ser, sim, garantidos pelo Estado, de maneira mais eficiente, com ganhos de escala e melhorias nas condições de vida para a população (reduzindo a necessidade de repasses via renda mínima, ainda que pudessem ser conjugados com esse).
Mas essa é só uma opinião, sobre a qual tenho poucas certezas.
Beijo. Te amo 

Comentário de Sebastião em 26/05/2019
Querida neta Bianca
Como sempre digo, não tenho certeza de nada, portanto, tenho que concordar contigo em que o Estado pode obter economias de escala com sistemas estatais de prestação de serviços nas áreas de saúde, educação e assistência social. Assim sendo, a Renda Mínima pode funcionar em paralelo com esses serviços gratuitos, uns complementando os demais em benefício da segurança financeira de todos os habitantes do país.
Apenas, por constatação empírica digo que monopólios são sempre nocivos, sejam privados ou, principalmente, do Estado. Além disto, você mesma declara o quanto é complicado e demorado resolver problemas de manutenção de bens de órgãos públicos.
Por exemplo, o cirurgião me encaminhou para tomografia no SUS, mas onde não estivesse quebrado só agendavam para quase um ano depois. Em todas as clínicas particulares os tomógrafos funcionavam e agendavam em menos de uma semana. Quando o dono é o povo ninguém é responsável; diferente de onde o dono é o empreendedor privado.
Assim, é sempre bom verificar o Custo/Benefício das utilidades, porque o grátis muitas vezes sai muito caro.
Posto isto e constatando, ambos, que Renda Mínima pode ser uma das soluções para a dupla disfunção da falta de renda para o cidadão expelido do emprego pelo robô, e falta de demanda para a pletora produtiva ultra robotizada, resta definir se a chamada “aposentadoria solidária” pode ser ou não classificada como assistência social, diante do alto montante que o Estado tem que financiar com outros tributos, além da minguante contribuição previdenciária dos poucos empregados, para cobrir a remuneração dos muitos aposentados e pensionistas. Meu entender é de que seja assistência social e, portanto, deve ter os respectivos fundos adicionados ao financiamento da Renda Mínima. Ou seja, a aposentadoria solidária e todos os demais tipos de assistência financeira devem ser descontinuados e incorporados à RM.
Tenho um trabalho sobre financiamento da RM, mas não passa de diletantismo e merece atenção de profissionais com melhor acesso às fontes de informação.
Agradeço seus comentários e acho que temos pontos de grande concordância;
Beijos do avô.
Em breve abordarei a questão da crescente concentração de bens de produção e de renda cujo limita pode levar ao Comunismo.

14 de abril de 2019

ONDE ESTÁ O ERRO DO ENSINO BRASILEIRO?


PERGUNTA DE SEBASTIAO A BIANCA
Peço a ti, leitor, que de fato quer ver o Brasil progredir pela educação de alta qualidade, responda à pergunta no final destas observações:
1.      Diversos comentaristas consideram Paulo Freire um dos maiores educadores de todos os tempos;
2.     No período de 30 anos, 1985 a 2015, os professores brasileiros tiveram plena liberdade de cátedra e sem crítica;
3.     No mesmo período de 30 anos, as Universidades brasileiras gozaram de plena autonomia administrativa e educacional;
4.    A partir de 1992, o Brasil foi governado por políticos de esquerda, desde o centro-esquerda Itamar e o socialdemocrata Fernando Henrique, passando pelo socialista Lula até a comunista Dilma;
5.     Brasil investe 5,7% do PIB, um dos índices mais altos entre os 42 países da OCDE, a frente de Reino Unido, Canadá e Alemanha, sendo o 15º que mais investe em relação ao PIB;
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6.    Brasil está pessimamente colocado em 53º lugar no Pisa, entre 65 países;
7.     As universidades brasileiras estão entre as últimas classificadas no ranking mundial;
8.    O extenso analfabetismo funcional revela que a educação básica brasileira é muito deficiente;
9.    O enorme desemprego sistêmico, principalmente a imensa dificuldade do primeiro emprego, atesta que a educação brasileira em todos os níveis não prepara o cidadão para autonomia econômica;
ONDE ESTÁ O ERRO?

RESPOSTA DE BIANCA 12/04/2019
Para você, Sebastiao Imbiriba! Tardo, mas não falho.
Como muitos sabem, meu avô é um ser humano instigado! Uma pessoa com a qual, a despeito das divergências políticas, procuro manter um diálogo franco, aberto e fraternal. Não temos tido muito tempo para conversar, claro, em função da correria do dia a dia. Mas como a última polêmica, em particular, tinha relação direta com a nossa vida dentro da universidade, e como as universidades públicas tem sofridos muitos ataques no período recente (entre outros tantos que ainda estão por vir), julguei por bem fazer uma resposta mais cuidadosa, que compartilho publicamente com vocês (em parte dela, inclusive, conto com a ajuda do colega Allan Kenji). Escrevo para todos, esperando que outras vozes também venham se somar ao nosso debate.
A questão era basicamente a seguinte questão: por que as universidades públicas estão entre as últimas colocadas no ranking mundial das universidades, se gastamos tantos recursos com educação (aproximadamente 5,7% do PIB, próximo à média dos principais países da OCDE, acima de Reino Unido, Canadá e Alemanha)? A resposta segue abaixo:
1. Somos um país pobre em comparação com os demais (é só olhar os indicadores: PIB, PIB per capita, IDH etc.). Dizer que gastamos o mesmo em educação como percentual do PIB nada nos diz sobre o tamanho dos gastos em termos absolutos. Enquanto o PIB da Alemanha é de US$ 3,7 trilhões e o do Brasil é cerca de US$ 2,0 trilhões.
2. Somos um país com uma população gigantesca! Dizer que gastamos o mesmo em educação como percentual do PIB nada revela sobre o gasto por estudante. “São cerca de 6,6 milhões de estudantes no ensino básico alemão e 48 milhões no brasileiro, por exemplo. Por isso, o relatório da OCDE deixa claro que o Brasil está abaixo da média no valor investido por estudante. Enquanto a Alemanha está acima do que destina a maioria dos membros da OCDE, gastando cerca de US$ 10,8 mil por aluno/ano, o Brasil aparece com cerca de US$ 3,8 aluno/ano. A média da OCDE é US $ 9,4 mil”. (Fonte: https://politica.estadao.com.br/…/brasil-investe-porcentag…/). Gastamos pouco, portanto.
3. No caso das universidades brasileiras, os gastos se elevam substantivamente: “quase US$ 11,7 mil. [...] Com esse montante, o Brasil se aproxima de alguns países europeus, como Portugal, Estônia e Espanha, com despesas, respectivamente, por aluno universitário, de US$ 11,8 mil, US$ 12,3 mil e US$ 12,5 mil, e até ultrapassa países como a Itália (US$ 11,5 mil), República Checa (US$ 10,5 mil) ou Polônia (U$ 9,7 mil). A média nos países da OCDE é de US$ 16,1 mil, puxada por despesas mais elevadas de países como os Estados Unidos, Noruega, Luxemburgo e Reino Unido”. (Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-41236052). E houve, de fato, um aumento nas verbas destinadas às Universidades entre os anos de 2003 e 2012 (que passaram de 10,3 bilhões para 25,9 bilhões). O erro, mais uma vez, está em não olhar os dados como um todo.
4. Ainda que a gente conviva diariamente com muuuuuuuitos problemas (de infraestrutura, condições de trabalho, condições de estudo, motivo pelo qual estivemos mobilizados durante todos esses anos), o aumento da verba de fato se converteu em uma expansão da estrutura física, aumento no número de vagas (em mais de 100%, passando de 109 mil para 231mil) e aumento do corpo docente (em 44%).
5. Além disso, as verbas destinadas às Universidades financiam não apenas atividades de ensino, mas também a pesquisa e a extensão (motivo pelo qual não podem ser comparadas com as verbas para os outros níveis de ensino). Sobre esse ponto, compartilho as palavras do colega Allan Kenji, que não poderiam ser mais apropriadas:
“As universidades têm por definição no Brasil: a) a indissociabilidade entre as atividades de ensino, pesquisa e extensão e b) a autonomia político-administrativa. Essa é a principal razão pela qual todas as tentativas de comparar o orçamento público destinado a essas instituições com outro nível de ensino são falaciosas, pois as universidades não se restringem apenas às atividades de ensino e custeiam diversos outros elementos como a pesquisa e a extensão, o que significa custear e investigar em infraestrutura pesada de pesquisa como laboratórios, equipamentos, insumos de pesquisas, mas também hospitais universitários, museus, e centros aglutinadores como observatórios astronômicos, centros de culturas vegetais e marinhas, bases avançadas de pesquisa e coleta de dados e até mesmo artefatos de altíssima densidade tecnológica como os aceleradores de partículas e os laboratórios de energia nuclear.
Aliás, os dados produzidos pelo próprio Ministério da Ciência e Tecnologia demonstram que as universidades respondem por praticamente toda a infraestrutura de pesquisa instalada no Brasil. Afinal, os capitais não fazem pesquisa e desenvolvimento em território nacional e as raras unidades de pesquisa e desenvolvimento estabelecidas em empresas como a Petrobrás e a Embraer resultam em grande parte de convênios e parcerias com centros de pesquisas e laboratórios das universidades públicas.
As universidades públicas são responsáveis por toda a pesquisa de base. Seja nas fronteiras do desenvolvimento do repertório interpretativo no campo da sociologia às novas fronteiras do conhecimento na física de partículas subatômicas, todo esse conhecimento só existe porque as universidades públicas ainda resistem”.
6. Por fim, o fato de não termos “subido” no ranking mundial (onde as instituições privadas de ensino sequer aparecem!), não significa que não houve melhorias em termos absolutos (como as mencionadas acima). Trata-se de um ranking: se todas melhoram, não pode haver uma mudança relativa de posição.
7. Por fim, concordando plenamente com Allan, creio que “A defesa dos recursos públicos para a educação pública, da creche à pós-graduação, portanto, não pode fazer oposição entre a educação básica e superior, mas formar uma unidade de todos aqueles que defendem irrestritamente a educação pública nacional”! Ou você está a favor da educação pública, ou está contra ela.


RÉPLICA DE SEBASTIAO 13/04/2019
Querida neta Bianca,
Tua resposta à minha provocação à moda de Sócrates, o grande perguntador, enche de orgulho este pobre velho já tão vaidoso dos netos (15) e bisnetos (9), primeiro, por vir de uma catedrática com extenso cabedal acadêmico, segundo por contribuir para um debate que provoco com objetivo de contribuir na busca de solução para o principal problema da Humanidade, neste século XXI, que é a ameaça do fim do trabalho.
Eu, humildemente, me considero um pensador, sem qualquer veleidade intelectual, mas interessado no bem da Humanidade e do povo brasileiro.
Vejo, a cada dia, em crescimento exponencial, a substituição do trabalho humano por robôs, primeiro, o trabalho braçal repetitivo no chão das fábricas, depois o de relacionamento pessoal no comércio e na comunicação, agora, o de lógica, pois que o computados processa logicamente muito mais rápido do que o ser humano, em breve só restará emprego para as tarefas que exigem inteligência intuitiva, característica quase exclusiva das mulheres, que a Inteligência Artificial (AI), possivelmente, ainda levará muito tempo para adquirir.
No fim, a AI aprenderá a desenvolver algoritmos de seu próprio desenvolvimento, ultrapassando e dispensando programadores humanos. Teremos então o fim do trabalho para o ser Humano. Suponho que isto acabe com uma das premissas fundamentais do marxismo.
Quando esta singularidade ocorrer, o desenvolvimento da máquina será explosivo e a AI dominará integralmente a Terra. Temos aqui a grande incógnita pós singularidade da AI quanto ao destino da Humanidade.
Enquanto esse fatídico dia não chega, teremos que resolver o dilema da escassez de renda, gerada pela falta de empregos, resultando em falta de demanda para a abundância de mercadorias geradas pelos robôs, ao mesmo tempo em que as instituições de ensino terão que fornecer mão de obra cada vez mais inteligente, mais culta e mais adaptável às mudanças, embora em muito menor quantidade. O Ensino terá que ser cada vez mais MERITOCRÁTICO e muito mais focado na excelência.
Tua resposta, querida neta, não responde à minha pergunta. Mas não estás sozinha, outros professores universitários, inclusive nosso amigo Paulo Lima, também não responderam. Aliás, alguns enveredaram pela desqualificação ofensiva e até me acusaram de imitador de Olavo de Carvalho.
Agora sabes que minha preocupação nunca foi a reles disputa política-ideológica de direita versus esquerda, mas de apreensão quanto ao destino da Humanidade, e considerando que o ensino nacional não atende às nossas reais necessidades, poderás buscar resposta à minha pergunta:
ONDE ESTÁ O ERRO DO ENSINO BRASILEIRO?


TRÉPLICA DE BIANCA
Bianca Imbiriba Obrigada, Vovô! 
Assim como no caso da primeira, acho que essa polêmica merecia uma segunda postagem! Kkkkk. Isso porque o tema me interessa bastante e porque acho que já se afasta um pouco dos problemas específicos da educação no Brasil.
Alguns comentários rápidos (depois tento desenvolver melhor):
1. Que o aumento das forças produtivas e desenvolvimento da tecnologia leve, no limite, ao fim do emprego (causando problemas especialmente para a parcela da população que vive de salário) não é algo que vai contra as premissas fundamentais do marxismo: é exatamente o que Marx aponta como tendência em O capital! Já disse isso a você: reconhecemos a mesma tendência, mas discordamos sobre a saída/solução.
2. Não acho que isso seja um problema da educação no Brasil. É um problema do capitalismo! Alguns países são mais bem sucedidos na administração do problema (garantindo que a população tenha o mínimo necessário para a sua subsistência). E fazem isso, veja bem, sem "deseducar" sua população (lembra o que Fernando dizia sobre a Dinamarca?! Escola e universidade pública para todos. Qualquer um pode entrar, sem nem fazer processo seletivo! Enem, pra ele, era um negócio sem sentido.).
3. Não acho mesmo que a saída seja caminhar para um tipo de educação meritocrática, exclusiva, para umas poucas cabeças pensantes, simplesmente porque não vai ter emprego pra todo mundo. Vamos educar, formar e dar cultura para a nossa população, sim. Sonhamos com um dia em que as pessoas não estarão mais preocupadas com ter ou não ter emprego, certo? Quando esse dia chegar, elas precisarão estar bem formadas e informadas para fazer o que quiserem das suas vidas.
Beijos. Te amo 


QUADRÚPLICA DE SEBASTIAO
Querida neta Bianca,
Concordo com muito do que dizes em tua última postagem:
1.      Afirmas, corretamente, que Marx previu a eliminação de empregos pela mecanização industrial.
a.     Em meu entendimento, a eliminação tecnológica do emprego, que também podemos dizer libertação do Homem do trabalho, retira do ser humano um elemento que Marx considera essencial ao Homem, algo que o caracteriza, o trabalho;
2.     Até a ocorrência da singularidade da AI, decorrerá algumas décadas de crescente desemprego, que dizes ser problema do Capitalismo e não do ensino brasileiro, com o que até concordo;
a.     No entanto, livre iniciativa e direito à propriedade de bens de produção sempre estiveram presentes em nossa sociedade e são garantidos pela Constituição, e não me parece politicamente realista esperar mudanças democráticas em curto prazo, o que nos obriga a resolver o problema do desemprego crescente;
b.    Então, sou obrigado a citar o caso emblemático de Singapura que, a partir de 1957 adotou a postura de abertura ao capitalismo e preparou seu povo, através de primorosa educação, a prestar excelentes serviços a todas as empresas que lá buscam facilidades e benefícios que lhes aumente a produtividade, resultando em pleno emprego, prosperidade, bem-estar e satisfação geral da população, que inluem esta pequena nação entre os mais bem colocados em renda per capita e desenvolvimento humano;
3.     Sou totalmente a favor da educação superior de caráter humanista para toda nossa população, desde a mais tenra idade;
a.     Por outro lado, aqui mesmo no Brasil, temos exemplo de educação e pesquisa, numa perfeita sintonia entre o centro gerador de cultura, a Embrapa, e o usuário do conhecimento ali gerado, o agronegócio, que trouxe nosso país ao mais alto nível de competitividade entre os grandes produtores de alimentos para a Humanidade.
b.    Assim, acredito que, diante da realidade dos recursos escassos, comum em todas as economias, deveríamos estabelecer um sistema meritocrático de ensino, desde a pré-escola até o doutorado, acoplado à pesquisa cientifica-tecnológica nos campos onde o Brasil possui vantagens competitivas, preparando nosso país para ameaças as mais diversas, inclusive os pesados investimentos chineses no agronegócio africano oriental, cuja menor distancia da China nos criará desvantagem nos fretes;
c.     Devo, ainda, citar o exemplo do futebol, cujos milhares de olheiros estão sempre atentos ao surgimento de novos talentos infantis a serem imediatamente recrutados para uma vida de educação e preparação de altíssima qualidade que lhes realcem a genialidade e contribua para a vitória de seus times, num sistema absolutamente meritório e recompensador do talento;
4.    O Brasil precisa desesperadamente de enriquecer, e muito rapidamente, para implantar uma Renda Mínima Universal, algo como o imposto de renda negativo proposto por Milton Friedman, e defendido no Brasil por Suplicy, de modo a que, os que não tenham e mesmo os que não queiram emprego, tenham como viver com o mesmo bem-estar e padrão de vida de um aposentado escandinavo.
Se estiveres interessada, lê minhas propostas a este respeito em: http://imbiriba.blogspot.com/search?q=renda+m%C3%ADnima

PRECISAMOS DE EDUCAÇÃO DE ALTA QUALIDADE!
Beijos, querida neta. Obrigado pela atenção que dás a este velho ignorante.
Te amo. Deus te abençoe.