3 de julho de 2011

Crie seu CIT - Comitê Independente Tapajós


É muito fácil criar um comitê independente pró estado do Tapajós em sua rua ou bairro. Você pode se associar e propagar suas idéias livremente e estará protegido pelas garantias constitucionais. Depende apenas de você, seus parentes e amigos, de seu espírito empreendedor.

1.       Envie um e-mail para “SIM Tapajos” <simtapajos@gmail.com> e comunique sua intenção de formar um Comitê Independente. Você receberá algum material para começar o trabalho. Posteriormente, a Comissão de Integração do ICPET – Instituto Cidadão Pró Estado do Tapajós poderá oficializar a filiação do seu Comitê;
2.       Convide parentes e amigos à sua casa ou outro local conveniente para discutir o apoio à criação do Estado do Tapajós. Use um caderno para receber nomes legíveis, telefone e e-mail dos presentes à reunião. Informe essa lista ao SIM Tapajos” <simtapajos@gmail.com>;
3.       Inicie lendo, discutindo e aprovando a pauta da reunião, todos ficarão logo sabendo o assunto, o que e como irão fazer, evitando dúvidas e discussões posteriores, a reunião será curta, objetiva e proveitosa. De modo geral, a pauta é composta de: 1 – Exposição dos temas a serem debatidos, 2 – debate e aprovação de cada tema, 3 – nomeação dos responsáveis pelas ações pertinentes a cada tema (cada função deve ter um responsável), 4 – relatórios das ações já tomadas, seus resultados e providências propostas, 5 – Resumo, agradecimentos e convite para a próxima reunião com pauta, local data e hora, 6 - Encerramento;
4.       Fale que o CIT vai ajudar a realizar um sonho de quase duzentos anos, criar o Estado do Tapajós, que esse sonho pode se realizar se você e seus parentes e amigos se empenharem de corpo e alma nessa empreitada;
5.       Forme o Comitê com 2 coordenadores, um tesoureiro, um secretário e o maior número que você possa convidar de divulgadores; posteriormente, estes divulgadores recrutarão outros. Escolha um companheiro para ser coordenador do comitê junto com você, quando você não estiver, ele o substitui; vocês atuarão juntos, sempre que possível, apoiando um ao outro. Escolha um secretário para anotar os debates e decisões do Comitê. Escolha um tesoureiro para arrecadar contribuições e prestar contas das despesas.
6.       Escolha um ou dois companheiros para junto com você, seu adjunto e o tesoureiro saírem em comissão, logo após a reunião ou no dia seguinte, para percorrer o bairro solicitando contribuições em dinheiro, em materiais ou serviços como papel, cópias Xerox, canetas, etc. Não tenha medo de pedir, se você pedir vai obter, use o dinheiro para despesas de telefone, correio, Xerox, etc. Faça seu tesoureiro registrar cuidadosamente todas as entradas e saídas de dinheiro, você poderá ser chamado a prestar contas à justiça eleitoral;
7.       Forme duplas de divulgadores (o trabalho em dupla é mais produtivo) para percorrer o bairro distribuindo panfletos e pedindo humildemente que os vizinhos reflitam nos anseios do povo que vive distante, a mil, dois mil quilômetros e anseia pela criação do Estado do Tapajós. Nunca discuta. Humildade e serenidade são fundamentais. Simplesmente, peça às pessoas que reflitam sobre o material impresso que você entrega. Repita essa peregrinação toda semana. Você é missionário;
8.       Forme comissões para pedir aos diretores de escolas, associações, sindicatos e clubes licença para falar e distribuir panfletos a professores, alunos e associados, se o diretor não concordar, faça isso na rua, próximo à entrada, você tem esse direito e ninguém pode impedir, mas faça isso sempre com humildade e serenidade;
9.       Reúna seu comitê toda semana. Quando começar a campanha oficial, reúna todo dia;
10.    Informe ao “SIM Tapajos” <simtapajos@gmail.com> os resultados das reuniões. Posteriormente, você receberá sugestões e dicas para desenvolver seu trabalho.
Seja empreendedor. A causa é nobre e sua dedicação vale um Estado. Sucesso, bom trabalho! O Estado do Tapajós agradece sua dedicação. Vamos à Vitória! SIM Tapajós.

2 de julho de 2011

Enquete, participem

Prezados,
Entrem e votem SIM em:
http://www.facebook.com/home.php?sk=question&id=1805852900084

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55 93 3523-2181 (Quero te ouvir)
imbiriba.blogspot.com (Leia)
scientiaetartis.blogspot.com (Read)
arshumanitas.org (Help develop)

4 de junho de 2011

Oitenta anos de curiosidade


Hoje, completo oitenta anos de vida, oito décadas desde que nasci. É um bocado de vida, não que esteja satisfeito, quero muito mais. Beatriz, minha mãe chegou pertinho dos cem e prima Sophia se foi faltando apenas dezenove dias para completar um século. Quero chegar por ai e até quebrar a barreira dos cem. Mas já estou no lucro.
De qualquer forma, oitenta anos são um bocado de tempo. Ainda mais, se pensarmos em como a Humanidade evoluiu. Primeiro, quanto à escala de vida: quando eu era criança, o tempo esperado de vida humana média não passava dos quarenta e cinco anos, isso sem contar a mortandade por guerras, fomes e doenças. Hoje, se vive em média setenta e cinco anos. Depois: pela intensidade e quantidade do conhecimento e dos acontecimentos. Na minha infância ainda se viajava de navio, semanas para chegar do Rio a Santarém, sem contar a espera pela saída. Além disto, a informação que você deseja e que antes não se encontrava nem nas melhores bibliotecas, hoje está a segundos do clique de seu mouse. Fatos são comunicados e decididos, de um lado a outros do Mundo, em minutos, quando antes necessitavam meses.
Oito décadas de vida, portanto, mais do que tempo, é templo de reflexão, onde se sorvem lições, se medita sobre elas e, talvez, se as repassa a eventuais discentes.
Depois das atribulações de saúde do ano anterior, quando passei meses em várias internações hospitalares por motivos diversos, inclusive delicada cirurgia vascular, do que me recupero a contento, o raiar de uma nova década de vida enche o espírito de esperanças, de ânimo e de indagações: O que fiz da vida que percorri? O que farei da vida que me resta?
A vida me fez. Muito do que sou, herdei genética, moral e culturalmente de meus antepassados. As características físicas, a ética, a abertura para o conhecimento, jeito de ser e lições que recebi de pai e mãe, e que estes herdaram dos seus, por gerações anteriores, tudo vem desta origem. Mas isto é apenas a base sobre a qual se constrói a vida. É inegável a aleatoriedade da sorte nos encontros que conformam nossos destinos. Este é fator importante. Mas daí pra frente é nossa responsabilidade, depende de interesse e comprometimento a vida que construímos, a profissão que escolhemos, o amor que merecemos.
Tenho defeitos de sobra, sei que existem e me desgostam profundamente, mas não me preocupo tanto assim com eles, nem seria eu que os revelaria. Há qualidades, no entanto, que me proporcionam grande satisfação. A primeira é a curiosidade, a segunda a persistência.
Curiosidade. Sempre fui curioso, era assim aos dois anos de idade, e continuo assim aos oitenta, sou perguntador, o que é isto, porque aquilo? Vou atrás da informação, quero saber tudo nos mínimos detalhes. Houve tempo em que passava horas em bibliotecas e enciclopédias eram consultadas a cada momento, hoje está quase tudo na Internet, mais fácil, mais rápido, às vezes até mais completo. Meu pai me dizia: “Toda ciência do mundo está nos livros”. Então eu lia muito. Hoje eu digo: “Falta pouco para que quase toda ciência do mundo esteja na Internet”. Então navego muito.
Persistência. Reconheço, não sou inteligente, demoro muito para entender, é uma dificuldade enorme. Por isso mesmo, tenho que ser persistente, insistir, estudar e reestudar, desenvolver exercícios, ler e reler, até que, por fim, uma tênue luzinha de entendimento aparece e o conhecimento desabrocha e ilumina.
Agora tenho que lutar com mais uma dificuldade, a memória me foge, ambas, a antiga e a recente. Oh meu Deus, quem é mesmo que introduziu o aristotelismo na escolástica, Agostinho ou Tomás de Aquino? O lado oposto sobre a hipotenusa é seno ou co-seno? Coço a cabeça, tento relembrar de coisas que aprendi há sessenta, setenta anos atrás. Mas isto é questão de tempo, minutos, daqui a pouco a informação salta à lembrança. O pior é tentar relembrar fatos recentes: “Muito prazer seu João. Como é mesmo seu nome?” Valha-me Deus. Tenho que prestar atenção redobrada, usar artifícios de memorização, anotar, o que nem sempre é possível. Mas que fazer quando os dois únicos neurônios de que disponho não querem mais se encontrar? Mas isto não me amedronta, continuo a ser curioso, a querer aprender cada vez mais e persisto com maior intensidade. Com parcos resultados, é verdade, mas, de qualquer forma, alguma coisinha aprendo ao longo da vida.
O problema é que, apesar do pouco que sei, não posso utilizar todo o pequeno conhecimento de que disponho. Tão pouco saber, tão pouco utilizado. Profunda e frustrante sensação de desperdício, inutilidade. Por que, para que, tanta ânsia por saber, tanto sacrifício em aprender, com capacidade de fazer tão diminuta? Se empreendedores se bastam e pouco se interessam pelo que, eventualmente, eu conheça e possa ser de utilidade para eles; se acomodados não desejam nem fazer, nem saber?
Ah, como eu gostaria de ser como Sophia, a Mestra! O anseio por discípulos é insuportável. Um tiquinho assim de desânimo tenta me acomodar. Então a curiosidade se envereda por outro caminho e me leva a outras explorações. E é aí que descubro: o único conhecimento que realmente interessa é a ciência do amor.
Que novas experiências a vida me trará?
Santarém do Tapajós, 04/06/2011

23 de agosto de 2010

Ministério Público contra a Liberdade


      Primeiro, vi a notícia na TV: Jornais venezuelanos proibidos de publicar fotografias classificadas como ofensivas a crianças e adolescentes. Então, li a notícia em, O Estado do Tapajós, de que promotores estaduais em Santarém notificaram a imprensa local proibindo a publicação de fotos de mesma classe, sob a mesma alegação. Depois, de novo na TV, humoristas cariocas protestam contra decreto que lhes impede a livre manifestação em charges políticas.
      É certo que há exageros e até abusos praticados por setores da mídia que visam captar e agradar parte do público à custa de desrespeito ao resto da sociedade. Quando isto ocorre é profundamente lamentável. A chave da questão é o critério editorial. Este, no entanto, pertence exclusivamente ao foro íntimo do responsável pelo veículo. Por mais que uma notícia ou imagem afronte a sensibilidade de qualquer parcela da sociedade, estará esta sempre subordinada ao valor maior constituído pela liberdade de expressão de pensamento, do compromisso de informar e o direito da sociedade, como todo, de ser plenamente informada.
      Os responsáveis pelos veículos não podem abdicar de direito fundamental, nem se submeter à chantagem para evitar aborrecimento processual; pelo contrário, devem reagir energicamente a esta tentativa de abuso de autoridade por promotores extraviados. Preventivamente, devem movimentar seus sindicatos e associações para protestar e adotar medidas judiciais cautelares.
      É impossível estabelecer limite exato entre o que seja ou não publicável. Aqui os critérios são totalmente subjetivos. Quando começa o processo de repressão da liberdade, o limite para supressão dos direitos fundamentais pertence totalmente ao arbítrio do censor. O arbítrio pode chegar ao extremo de obrigar mulheres a usar burca. É por isto que qualquer cerceamento deve ser combatido por todos.
      Os promotores de Santarém, agora arvorados censores autonomeados, podem até estar bem intencionados, mas exorbitam de suas competências. Nada existe na Constituição e nas Leis que ordene ou permita ao Ministério Público censurar a imprensa. Ao contrário, o que encontramos na estrutura legal do país, com muito maior vigor na Constituição vigente, é o dever do MP de impor a obediência à Lei. É aqui que os promotores demonstram incompetência e fracassam. Em lugar de fazer valer a Lei e impedir o crime, evitando que cadáveres de vítimas, estendidos nas ruas, choquem a sensibilidade de adultos e crianças que os cercam, tentam apagar o sol com peneira proibindo a notícia do fato. E atentam contra a Democracia, contra a Liberdade.

9 de agosto de 2010

Gazeta na Praça do Centenário

Sebastião Imbiriba*
      Depois do grande conflito mundial, quando o movimento da Guerra da Borracha já havia cessado e as plantações de juta começavam a ganhar impulso, era muito calma a vida em Santarém. A serenidade se interrompia esporadicamente pela chegada do navio do Lloyd Brasileiro, do Catalina da Panair ou do senador Magalhães Barata desembarcando do Aquidabã para enquadrar severamente seus correligionários mocorongos. No ano do primeiro centenário da elevação de Santarém à categoria de cidade, a comoção maior aconteceu e em algumas inaugurações importantes: Escola Técnica de Comércio do Baixo Amazonas Rodrigues dos Santos, dirigida pela Professora Sophia, a 16 de março; do Instituto Batista de Santarém, obra do Pastor Sóstenes, em 15 de outubro e, no mesmo dia, 24 de outubro de 1948, da Rádio Clube de Santarém e da Praça do Centenário.
      Esta praça foi construída entre as avenidas 24 de Outubro e Silvério Sirotheau Corrêa, no bairro da Aldeia. Seu projeto construtivo foi concebido pelo artista santareno Manoel Maria de Macedo Gentil, o Xixito, que depois viria a ser vereador e, por fim, assassinado pelo irmão do prefeito, por desentendimento com a irmã deste, devido à alegada recusa da regularização de concessão de terreno municipal que ele defendia em favor de correligionário.
      O Largo do São Raimundo, como era chamado, foi ornamentado, em seu centro, por um índio, obra de João Fona. Ao lado da estátua, uma estrofe de poema de Castro Alves. Estes ornamentos, juntamente com dois canhões, além de canteiros, alamedas e bancos, faziam a decoração da praça. Os canhões pertenceriam à Fortaleza do Tapajós, onde nunca estiveram por terem sido relegados e esquecidos por cerca de um século no leito da Rua Galdino Veloso.
      A foto ao lado mostra, sentadas, Nancy Ayres, Selma Cardoso e Letícia Colares; em pé, Yolanda Ayres Gentil e Leila Figueira. Eram amigas inseparáveis e alunas bem comportadas do Colégio Santa Clara. Umas cursavam o segundo ano do ginásio, outras, já o terceiro. A atitude de bom comportamento delas era elogiado pela mestra de disciplina, a severa irmã Balbina, que as considerava e apresentava como exemplo a ser seguido pelas demais alunas.
      A inauguração do Largo de São Raimundo era motivo de comentários em todos os círculos da cidade e não podia deixar de ser entre as alunas do Santa Clara. Um professor havia faltado naquela manhã e as meninas estavam ansiosas por conhecer a Praça do Centenário. Ainda mais, porque Yolanda, cujo genitor projetara a praça mas não a levara à inauguração, desejava intensamente conhecer a obra do pai. Em lugar de nada fazerem, sem aula, resolveram sair do colégio para matar a curiosidade e retornar em tempo para a próxima aula. Gorjeando como passarinhos, as cinco rumaram para a nova praça.
      Estavam as meninas conversando animadamente, sentadas nos bancos da praça, quando uma delas avistou a batina franciscana saindo da igreja de São Raimundo. “Ai! Meu Deus, frei Isidoro nos viu”, disse uma delas. Num relance, todas se voltaram para a igreja. Parado no átrio, em silêncio e com ar carrancudo, o frade mostrou a palma da mão e a balançou pra frente e pra trás na direção das alunas do conceituado colégio feminino que ele julgara estar gazeteando. Em seguida, sem dizer palavra, saiu caminhando rapidamente.
      As meninas permaneceram por instantes discutindo o que fazer para evitar o severo castigo que certamente viria. Resolveram voltar às pressas ao colégio. Chegaram esbaforidas, apenas para encontrar irmã Balbina, de braços cruzados, na entrada, à espera delas. “Sim senhoritas”, começou a freira, passando um sabão completo nas fujonas antes que estas pudessem, ao menos, começar a se explicarem. Mas o castigo ficou apenas na advertência e as amigas seguiram, desconfiadas e silenciosas, a caminho da próxima aula.
      Prova irrefutável da gazeta flagrada por frei Isidoro, a foto foi tirada por um lambe-lambe que aproveitava o atrativo da praça para levantar uns trocados.
*Cidadão amazônico

21 de julho de 2010

O Sonho Amazônico do Amazon Dream
Por Ney Imbiriba e Sebastião Imbiriba.
      O Amazon Dream e a Compagnie Amazonienne de Navigation, sua proprietária e armadora, são fruto da paixão de dois idealistas por estas plagas do Tapajós, Bernard Ramus e Jean Thomas Bernardini que vieram a esta região, trazidos pela Paratur, em 1996, para proferir palestra sobre captação de capitais estrangeiros, em seminário de Turismo realizado na UFPA em Belém. Após o seminário, os franceses foram trazidos pelo presidente da Paratur a Santarém onde conheceram o Tapajos Amazon Lodge, construído por outros dois compatriotas em 1990 e paralisado por desentendimento dos sócios. Bernard e Jean Thomas se apaixonaram por esta bela Terra da Felicidade e adquiriram os direitos sobre o Lodge. De lá para cá foram inúmera as provas de amor explícito desses empreendedores e operadores turísticos pelo Tapajós e pelo nosso povo. Apesar de inúmeros percalços, eles, Bernard, principalmente - Jean Thomas Bernardini se retirou da sociedade em abril de 2010 - continuam demonstrando essa paixão pelas gentes e coisas desta região.
      O sonho, por vezes, se torna pesadelo. O Pólo Tapajós de Turismo, que abrange praticamente todos os municípios do Tapajós e do Baixo Amazonas paraense, sofre duro golpe com o acidente sofrido pelo gaiola B/M Amazon Dream, adernado pela força de tempestade equatorial nas proximidades de Itaituba, sexta-feira, 16 de julho de 2010, com a lastimável perda de uma vida humana. É um golpe, pela fatalidade ocorrida e pelos danos materiais diretos de seus passageiros, tripulantes e armadores. A perda de renda e emprego decorrentes da paralisação das atividades do Amazon Dream afetam também as comunidades incluídas nos roteiros das excursões do gaiola, assim como os fornecedores terceirizados de bens e serviços necessários á operação.
      O Amazon Dream não é uma operação simples. Trata-se de uma complexa estrutura de operação turística que exige profundo conhecimento da arte, desde o planejamento dos trabalhos de relações públicas, dos roteiros das excursões, da captação de investidores, do recrutamento de colaboradores e agentes de viagem distribuidores do produto, tudo seguindo as mais modernas técnicas do marketing turístico coordenado e levado à perfeição. Esse projeto é exemplo de competência no planejamento e execução de operação turística.
      A idéia original do barco fez parte do projeto do Tapajos Amazon Lodge, que os investidores franceses pretendiam restaurar, ampliar e operar onde hoje está implantada a Reserva Extrativista Tapajós Arapiuns, como via de acesso entre Santarém e o hotel de selva. O Lodge era um projeto de altíssimo valor ambiental e social, além de econômico, mas se tornou impraticável pela irracionalidades burocráticas kafkianas na criação da Resex. Isto, em si foi um tremendo retrocesso no desenvolvimento do turismo nesta região. Diversos projetos em andamento, inclusive as negociações para estabelecer conexão em Caiena entre vôos da Air France, provenientes de Paris, e vôos da então ainda operante Penta, destinados a Santarém, ruíram impossibilitando o grande salto esperado no número de turistas europeus rumo ao Tapajós. Esta rota talvez evitasse o fechamento da Penta. Quando o Lodge se tornou impraticável, por falta de visão de burocratas e até sabotagem por ativistas ambientais totalmente desinformados, o projeto do barco ganhou nova dimensão, passando a ser ele próprio o meio de hospedagem durante as excursões que passaram a ser mais extensas e mais elaboradas.
      O Amazon Dream surpreendeu a muitos operadores receptivos e hoteleiros regionais incapazes de vislumbrar um projeto dessa envergadura. Este primeiro barco seria apenas o início de um projeto de muito maior alcance. O Amazon Dream foi lançado no mercado europeu e mundial pelo site http://www.amazon-dream.com/portugal/index.php e por um encarte especial de seis páginas no Le Figaro Magazine (enviarei cópia em PDF a quem o solicitar via simbiriba@gmail.com).
      Todos sabemos o quanto o Pará d’Oeste sofre com a profunda recessão provocada, não pela marolinha da crise mundial, mas pelo tsunami da intencional paralisação da indústria florestal e afugentamento da agricultura mecanizada sem que fossem tomadas providências para criar alternativas e precauções mitigadoras do desemprego em massa em toda a região. Santarém e toda sua área de influência ficaram economicamente esvaziadas, com extenso desemprego e fechamento de inúmeras empresas. O PAC poderia ser um mitigador das dificuldades financeiras, mas os recursos orçamentários não são liberados. A esperança de que as eleições pudessem injetar algum dinheiro nesta região não se concretiza pelas novas restrições legais aos gastos de campanha. Uma alternativa para esse descalabro recessivo pode ser o Turismo. Nesta direção, o Amazon Dream é um semente a frutificar, exemplo a ser seguido. O destino, porém, nos infelicita, mais uma vez, com o desastre de Itaituba.
      O sonho do Amazon Dream é importante demais para se extinguir. O sonho do Amazon Dream não pode parar por um desastre, por mais doloroso que tenha sido. O sonho tem que continuar, não somente pela beleza do sonho em si, mas pelas lições que nos proporciona: como empreender, como captar e receber turistas, como hospedar com elegância, sentimento e eficiência, como incluir comunidades ribeirinhas e das florestas, educá-las, fazê-las participar de projeto turístico e de seus resultados.
      Este ideal não pode acabar. O Amazon Dream tem que continuar. Esta região toda e seu povo, suas autoridades e suas lideranças nas áreas política, trabalhista e empresarial devem se levantar e apoiar por todos os modos, ajudar a reerguer esse sonho, fazer reviver este belo sonho, o sonho do Amazon Dream.